Menos de um quinto das ambulâncias do INEM têm desfibrilhadores
O sistema integrado de emergência médica dispõe de desfibrilhadores automáticos externos, aparelhos usados em caso de paragem cardio-respiratória, em apenas 90 das suas 500 ambulâncias, revelou o presidente do INEM à agência Lusa.
“As ambulâncias equipadas com desfibrilhador automático externo (DAE) são cerca de 90, e há muito mais ambulâncias do que isso”, declarou Abílio Gomes, contando que, “se consideradas todas as que estão no sistema integrado de emergência médica, com reservas dos bombeiros incluídas, são cerca de 500”.
De acordo com o responsável, “o INEM está a fazer um esforço no sentido de dotar com equipamento de DAE todas as suas ambulâncias e as dos parceiros que com ele colaboram no sistema integrado de emergência médica”, tendo já lançado “um concurso para aquisição de equipamentos de DAE destinados a essas viaturas”.
O facto de apenas 18% das ambulâncias ter o aparelho é visto com preocupação pela Associação Portuguesa de Medicina de Emergência (APME), para a qual o incumprimento da norma europeia 1789, de 2001 (relativa às viaturas médicas e ao seu equipamento), é só um dos problemas quando se fala de DAE.
“Os operacionais das ambulâncias também continuam a não ter cartões de operacionais de DAE como a lei exige”, sublinhou Vítor Almeida, presidente da APME, comentando a publicação, há pouco mais de um ano, do decreto-lei relativo à utilização de desfibrilhadores automáticos externos por não médicos em ambiente extra-hospitalar.
“Aquilo que nós esperávamos, no ano passado, é que toda a rede de ambulâncias pré-hospitalares, incluindo a Cruz Vermelha e os Bombeiros, fosse rapidamente apetrechada e os seus profissionais formados nessa área, mas as únicas que têm desfibrilhador em grande escala são as do INEM operadas por tripulantes de ambulância de emergência médica com o curso de DAE”, explicou à Lusa.
Assegurando que “os tripulantes de ambulância de socorro e os tripulantes de ambulância de transporte que efetuam o serviço em ambulâncias da Cruz Vermelha e dos Bombeiros continuam a não estar interligados com a rede de DAE”, Vítor Almeida considerou “os resultados, nesta fase, extremamente dececionantes”.
Perante a situação, “aquilo que o Ministério da Saúde deve fazer é tornar a desfibrilhação automática externa obrigatória, em concordância com a lei europeia, para qualquer ambulância que efetue serviço de emergência médica pré-hospitalar”, um passo que tem de ser dado “muito rapidamente”.
Na opinião do responsável, o diploma n. 188/2009, de 12 de agosto, relativo à colocação de desfibrilhadores em espaços públicos, justifica-se, mas há outros aspetos a tratar antes de se insistir na sua aplicação.
“Se a própria rede de emergência pré-hospitalar continua a não responder àquilo que são exigências internacionais, como é que podemos criticar as empresas privadas e os espaços públicos por não terem DAE? Não podemos criticar. Os primeiros a falhar são os próprios intervenientes no socorro”, afirmou.




