LAMEGO: Corte da EN222 motiva queixas de operadores turísticos

O corte da Estrada Nacional (EN) 222 entre o Torrão e a barragem de Bagaúste, no concelho de Lamego, devido a uma derrocada de terras em finais de fevereiro, está a motivar queixas de operadores turísticos do Douro.

“Muita gente se tem queixado, particulares e pessoas ligadas à hotelaria e ao turismo, porque faz muita diferença o desvio que é preciso fazer por causa do corte da estrada”, disse o presidente da câmara de Lamego, Francisco Lopes.

Segundo o autarca, trata-se de “um desvio grande e sinuoso e as pessoas acabam por se perder”, nomeadamente os turistas, que não conhecem a região.

Francisco Lopes garantiu que a autarquia vai “continuar a insistir com a Estradas de Portugal” para que a situação seja rapidamente resolvida, mas admite que “não será fácil”, porque o problema resultou da queda de terras de um terreno privado de uma quinta.

“Alguma solução tem que ser encontrada. A estrada vai ter que ser reaberta, mas em condições de segurança”, frisou, lembrando que não foi a primeira vez que caíram terras da quinta, ainda que “nunca tivessem afetado a estrada desta forma”.

Um dos operadores turísticos mais afetados pelo corte da EN 222 é a Quinta de Marrocos, a cerca de cem metros do local da derrocada, que ficou num “beco sem saída”.

“É uma situação extremamente desagradável, numa época em que há muito turismo. Já tivemos muitas desistências e muitos problemas com a chegada dos turistas”, lamentou Rita Sequeira, filha do proprietário da quinta.

Isto porque os turistas, a maioria estrangeiros, “são obrigados a fazer um desvio de mais de 15 quilómetros, por uma estrada que é muito má, não há indicações em inglês” e acabam por se perder, tendo os responsáveis da quinta que ir ao seu encontro, acrescentou.

“Já em 2001 tinha havido queda de muros, quer da nossa quinta, quer da outra. Nós recebemos a carta a obrigar-nos a levantar o muro e cumprimos, mas a quinta ao lado nunca o fez e todos os anos vai caindo terra. Este ano foi em maior quantidade e levou ao corte”, lamentou.

Também o restaurante O Torrão, a poucos metros da zona da derrocada, notou a diminuição da clientela.

“Com a volta que têm de dar, o restaurante fica muito fora de mão, por exemplo, para as pessoas que vão para S. João da Pesqueira”, disse um empregado do restaurante.

Os deputados do PS eleitos por Viseu já questionaram, em requerimento, o ministro das Obras Públicas sobre a data prevista para a reabertura da estrada, que consideram “um eixo viário estruturante para a região do Douro”.

“Ligando entre si todos os concelhos da margem sul do rio, constitui-se como acesso prioritário à A24 para todos os que vivem e trabalham nesses concelhos. Mais, hoje é considerada como ‘estrada turística’ de primordial importância, amplamente utilizada por muitos visitantes que a escolhem como via de circulação de acesso ao Douro Vinhateiro”, alertam.

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