Maputo amanheceu tranquila mas com poucos transportes públicos
A capital moçambicana amanheceu hoje tranquila, sem tumultos e com várias ruas já desbloqueadas, mas ainda com poucos transportes públicos a circular. De acordo com dados oficiais, sete pessoas morreram e 288 ficaram feridas nos confrontos entre populares e polícia em Maputo desde quarta-feira.
Muitas pessoas aglomeram-se nas paragens dos transportes semi-colectivos (chapas) mas são ainda poucos os transportes na periferia da cidade, constatou a Lusa.
A noite em Maputo foi tranquila e sem manifestações. Nos últimos dois dias registaram-se violentos confrontos entre populares e polícia, na sequência de manifestações contra o aumento do custo de vida, nomeadamente de bens essenciais como água, luz, pão e arroz.
Os prejuízos decorrentes das manifestações estão estimados em 122 milhões de meticais (2,5 milhões de euros) e causaram a perda de 3910 postos de trabalho, segundo o Governo.
Empresários portugueses confiantes no futuro
Uma delegação de oito empresários portugueses, que está em Moçambique à procura de negócios, mantém “toda a confiança” no país, apesar dos tumultos, e querem “voltar rapidamente”.
A declaração é de Telmo Fernandes, da empresa MarketAccess, que organizou uma visita a Moçambique de oito empresários da NERLEI (Associação Empresarial da Região de Leiria), “apanhados” nos tumultos.
Em declarações à Agência Lusa, o responsável disse que os empresários entendem que, apesar da situação, motivada por questões sociais, Moçambique tem “de facto oportunidades de colaboração e negócios”.
“A situação (de confrontos) não favorece os negócios, mas percebe-se que é temporária. A confiança no mercado é grande, e os empresários notam que de facto vale a pena continuar a apostar”, disse, acrescentando que o que se está a passar em Maputo não é nada que “faça demover as empresas”.
“Este é o sentimento geral que colhemos de todas as empresas”, disse Telmo Fernandes, explicando que, apesar da instabilidade em Maputo, os empresários mantiveram vários contactos na capital, com universidades, empresas e responsáveis da área da energia e da água.
“Viemos também para preparar outra missão, para o fim de outubro, princípios de novembro, de 20 empresários da área da construção civil, da Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas do Porto”, disse, explicando que, num contacto prévio com a Federação dos Empreiteiros de Moçambique, já foi manifestada a intenção de assinar um protocolo entre as partes.
A associação portuguesa vai também convidar cinco importadores moçambicanos para visitarem, em Portugal, uma feira de maquinarias para madeira, em outubro, e irá organizar, também em Portugal, um seminário com a presença do Centro de Promoção de Investimentos de Maputo.
Na capital moçambicana decorre esta semana a FACIM, Feira Internacional de Maputo, com a presença de centenas de empresários de 14 países, quase 100 são de Portugal.
A feira, que foi afetada pela situação de instabilidade que se vive em Maputo, abriu segunda feira e deve fechar domingo. É possível que seja prolongado o tempo de abertura.




