Fidel Castro apela à paz mundial em manifestação após quatro anos de ausência

O líder histórico cubano, Fidel Castro, de 84 anos, discursou hoje para milhares de estudantes de universitários em Havana, presidindo pela primeira vez em quatro anos a uma grande manifestação, para exigir a paz no mundo e o desarmamento nuclear.

Fidel, que voltou a aparecer em público envergando o seu uniforme militar verde azeitona, embora sem as condecorações de “comandante-em-chefe”, discursou de pé durante três quartos de hora para voltar a advertir que um ataque dos Estados Unidos ao Irão se transformaria num conflito global.

A cerimónia, que assinala o início do ano letivo universitário e foi transmitida em direto na televisão, foi realizada manhã cedo para, segundo o próprio Fidel, terminar “antes que o sol fique demasiado quente”.

No discurso, o ex-Presidente cubano disse temer que as novas sanções da ONU contra o Irão deem aos Estados Unidos e a Israel o poder de intercetar navios iranianos, o que levaria a um confronto armado que poderia degenerar num conflito nuclear.

Evocando “os perigos de uma guerra nuclear” e as alterações climáticas que “ameaçam a vida humana”, Castro defendeu “a eliminação do armamento nuclear” e agradeceu aos estudantes o “apoio moral nesta luta pela paz”.

“Exorto-vos a não deixar de lutar nessa direção (…) porque, nesta como noutras batalhas do passado, é possível vencer (…) e preservar a vida humana”, disse.

Em julho, Castro voltou à cena pública depois de quatro anos de convalescença de uma doença grave que o obrigou a transferir o irmão, Raul Castro, em julho de 2006.

Desde então, Fidel Castro tem multiplicado as comparências públicas para falar dos riscos de um “holocausto nuclear”. Em nenhuma dessas ocasiões, no entanto, se referiu à situação de Cuba.

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