Sócrates espera que “o PSD reconsidere e aceite negociar o Orçamento”

O primeiro ministro afirmou ser uma “inverdade” que o Governo tenha revelado uma conversa sigilosa entre si e o presidente do PSD e disse esperar que este partido reconsidere e aceite negociar o Orçamento.

“Há por aí muita gente a querer apresentar desculpas, mas a verdade verdadinha é esta: o Governo propôs negociar previamente o Orçamento (do Estado para 2011) e o PSD disse que não”, declarou José Sócrates.

José Sócrates falava aos jornalistas nas Nações Unidas, depois de ser confrontado pelos jornalistas com a ideia de que o Governo faltou a um compromisso com o PSD ao revelar o teor das conversações entre si e o líder social democrata, Pedro Passos Coelho.

Nas declarações que fez aos jornalistas, o primeiro ministro disse esperar que “o PSD reconsidere” e aceite fazer uma negociação prévia do Orçamento do Estado e negou que tenha quebrado o sigilo em torno das conversas que manteve esta semana com o presidente dos sociais democratas.

“É uma inverdade que o Governo tenha revelado alguma conversa secreta. Depois de ter falado com o dr. Passos Coelho, eu próprio lhe disse que isso deveria ser do conhecimento dos portugueses – e estivemos ambos de acordo em revelar essa conversa, a proposta do Governo e a resposta do PSD”, contrapôs o líder do executivo.

Segundo o primeiro ministro, na sequência dessas conversas, “a resposta do PSD foi muito clara”.

“O Governo propôs negociar e a resposta do PSD foi, não queremos negociar previamente”.

Já sobre as audições marcadas pelo chefe de Estado com os partidos, na terça feira, para discutir as condições políticas em torno do Orçamento para 2011, José Sócrates disse compreender a posição de Cavaco Silva.

“Não é ao Presidente da República que compete fazer governos, não é ao Presidente da República que compete resolver os problemas, isso compete aos partidos e lamento que os partidos se tenham colocado na posição que agora exige ao senhor Presidente da República fazer consultas. Trata-se de um passo positivo de quem mostra preocupação”, considerou.

No entanto, Sócrates lançou um apelo para que as coisas “não sejam colocadas ao contrário”.

“Acho muito negativo para o país é Portugal não ter Orçamento, porque isso é a confissão de que não somos capazes de resolver os nossos problemas. Isso é que considero absolutamente incompatível com as necessidades do país”, frisou.

Na perspetiva do primeiro ministro, no processo para a negociação do Orçamento para o próximo ano, o Governo já fez o seu dever.

“Disse ao líder do PSD que deveríamos ter uma negociação prévia do Orçamento, sem condições e aceitando as diferenças, mas com o objetivo de se chegar a um compromisso. Lamento que o PSD tenha respondido não”, declarou.

José Sócrates criticou que haja “por aí muita gente a querer apresentar desculpas”.

Ainda de acordo com Sócrates, ao longo dos últimos meses, foram frequentes os apelos de que o Governo deveria negociar o Orçamento do Estado do próximo ano.

“Mas, no primeiro momento em que o Governo disse aqui estamos para negociar, poupando o país aos radicalismos de linguagem, o PSD deu uma resposta negativa — e espero que reconsidere, porque o país precisa que os dois partidos se entendam”, frisou.

O primeiro ministro queixou-se ainda de haver na atual conjuntura política “uma agressividade contra o Governo”.

“Isso só é explicável pelo seguinte: muitos não estão satisfeitos com os resultados das últimas eleições legislativas, mas o PS não tem que pedir desculpas a ninguém por estar no Governo, porque foi escolhido pela vontade do povo”, acrescentou.

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