Vítor Baía disponível para ser candidato à presidência da FPF
O antigo guarda-redes e ex-dirigente do FC Porto Vítor Baía mostrou-se “disponível para ajudar o futebol português” e deixou em aberto a hipótese de se candidatar à presidência da Federação Portuguesa de Futebol (FPF).
“Se o futebol português entender que eu possa ser uma mais valia estarei disponível para ajudar”, sustentou Vítor Baía, que falava à margem de uma visita a uma escola em Baguim do Monte, em Gondomar.
Questionado se estaria disponível para ser candidato à presidência da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), no próximo ato eleitoral, Vítor Baía assumiu que estava disponível para ajudar o futebol nacional.
“O futebol português necessita de uma nova visão e de um plano de ação mais abrangente e estou disponível para ajudar a que seja encontrada uma solução para os problemas por que passa”, disse o ex-guarda-redes.
Vítor Baía, que este ano cessou funções de diretor no FC Porto, ainda não sabe quando acontecerá o regresso à actividade desportiva ativa, mas poderá estar para breve. “Vamos aguardar, sou um homem do futebol”, disse.
“Sinto-me com capacidade e competência para ajudar o futebol português”, disse ainda Vítor Baía, considerando que, fora algumas exceções, os cargos de dirigentes deveriam ser preenchidos por ex-praticantes.
De acordo com Vítor Baía, “o futebol deve ser liderado por pessoas que estejam ligadas ao fenómeno, não querendo dizer que não haja dirigentes que, nunca tendo praticado, são bons líderes e gestores”.
“Acho que havendo qualidade, competência e capacidade, os ex-praticantes estão naturalmente mais habilitados, dada a experiência que têm pelo conhecimento por dentro do fenómeno desportivo, neste caso o futebol”, explicou.
Vítor Baía demarcou ainda a sua saída do FC Porto da do administrado Fernando Gomes, atual presidente da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP), recusando a ideia de um plano concertado.
“São situações diferentes. Não há estratégias pré-definidas. Deixei por que achei que era o momento de o fazer e o Fernando Gomes também. Não há fantasmas, nem conspirações”, sustentou ainda Vítor Baía.
Sem festa de despedida
Vítor Baía lamentou, por outro lado, hoje não ter tido uma festa de despedida à altura dos 26 anos que dedicou aos “dragões”, clube que representou pela última vez num particular com o Leixões.
O ex-guarda-redes recordou a promessa da festa de despedida feita pela direção do FC Porto, quando pendurou as luvas, e disse que continua à espera.
“Quando acabei a minha carreira foi isso que me prometeram e gostava, após tantos anos ligado ao clube e às páginas mais bonitas da sua história, de me despedir dos adeptos e agradecer-lhes o carinho e a forma como me trataram ao longos dos anos”, disse.
Afastado da vida ativa desportiva desde que deixou este ano o cargo de diretor do FC Porto, por não caber na sua estrutura, Vítor Baía está neste momento virado para as actividades da sua fundação e para os seus negócios.
“Não deixei o FC Porto com mágoa. Tenho objetivos de vida e projetos pessoais em curso e ao não caber na estrutura do FC Porto, não me restou outra saída”, disse Baía, frisando: “As pessoas quando não estão bem, saem”.
A saída do FC Porto, ainda de acordo com Baía, após 26 anos de ligação, tem a ver com a conjuntura atual. “O cargo que ocupava estava vazio de conteúdos, e como não havia espaço na área do futebol…”, explicou.
“Gosto muito do FC Porto e não ia aproveitar a situação de estar ligado ao clube por estar. Decidi de consciência em sair e dedicar-me aos meus projetos pessoais, à minha fundação e aos meus negócios”, adiantou.
Cargo de seleccionador “bem entregue”
Vítor Baía defendeu ainda que o cargo de selecionador nacional de futebol está “bem entregue” e alertou para não se responsabilizar Paulo Bento “se as coisas não correrem bem”.
“Desejo que o Paulo tenha muita sorte e consiga atingir os objetivos, depois de toda esta confusão e de tudo o que se falou até este momento em relação ao futebol da federação e de toda a sua organização”, adiantou.
Vítor Baía espera que o apuramento para a fase final do campeonato da Europa de 2012 ainda seja possível, mas apontou que Portugal “parte em desvantagem”, por ter perdido cinco pontos nos dois primeiros jogos.
“No final, se as coisas não correrem como desejamos, espero que não se responsabilize o Paulo”, disse ainda Vítor Baía, que foi colega de seleção do atual selecionador, nomeadamente no Europeu de 2000 e no Mundial de 2002.




