“Não permitirei candidatos fichas sujas”, garantiu Dilma Rousseff

A candidata do Partido dos Trabalhadores (PT) à Presidência do Brasil, Dilma Rousseff, disse, durante um debate pela Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que “fichas sujas” não terão lugar num eventual seu Governo.

Participaram também no debate os candidatos José Serra, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), Marina Silva, do Partido Verde (PV) e Plínio de Arruda Sampaio, do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL).

A CNBB, instância máxima da Igreja Católica no Brasil, foi uma das entidades que se mobilizaram para recolher mais de 1,5 milhões de assinaturas para o projeto de iniciativa popular do Ficha Limpa, apresentado à Câmara dos Deputados em setembro de 2009.

Aprovada pelo Congresso, a lei impede a candidatura de pessoas condenadas por um coletivo de juízes.

“Não permitirei candidatos fichas sujas”, garantiu Dilma Rousseff, lembrando que o Supremo Tribunal Federal (STF) está a decidir se a Lei da Ficha Limpa será ou não aplicada já nestas eleições.

Segundo a candidata, “a corrupção é um mal que afeta várias instituições, não só o Governo federal, e deve ser combatida doa a quem doer”.

Plínio Sampaio provocou a adversária e disse que ela não estaria na “situação difícil” em que se encontra se não fosse a “degeneração do PT”.

O candidato do PSOL aludia às recentes denúncias que atingiram a Casa Civil da Presidência e que resultaram no afastamento da sucessora de Dilma no Ministério e sua ex-braço direito no Governo, Erenice Guerra.

“Não estou em situação difícil”, contestou Dilma, destacando nunca ter sido alvo de qualquer acusação durante a sua vida pública.

Questionados sobre as prioridades de seus programas de Governo, os candidatos do PT, PSDB e PV destacaram a educação e a saúde.

Serra citou também a segurança no rol dos itens prioritários, “tendo como pano de fundo uma economia forte”, e Marina, a ampliação dos programas de transferência de rendimentos.

Já Plínio de Arruda Sampaio, para quem as outras três candidaturas são “iguais”, destacou que suas prioridades são uma “enorme distribuição de riqueza, uma reforma agrária drástica e a redução da jornada de trabalho sem diminuição do salário”.

Dilma Rousseff apresentou-se como a “continuidade e o avanço do Governo Lula da Silva” e salientou que 28 milhões de pessoas foram tiradas da pobreza nos últimos oito anos.

Marina Silva enfatizou que é contra o aborto, diferentemente do seu partido, e defendeu um plebiscito para que a sociedade possa debater o tema profundamente.

O ex-governador Serra evocou valores cristãos e manifestou-se contra um plebiscito para o aborto e favorável à manutenção da atual legislação sobre o assunto, que só permite o aborto em caso de risco de vida materna e quando a gravidez é resultante de estupro.

Plínio Sampaio insistiu que, nestas eleições, ele é “a diferença”, devido à opção de seu partido pelos pobres e propôs a desapropriação de terras – produtivas ou não – acima de 1000 hectares, uma auditoria da dívida externa brasileira e ainda tornar inteiramente públicas a educação e a saúde.

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