Cavaco Silva recandidata-se para “ajudar o país a encontrar um rumo para o futuro”
Aníbal Cavaco Silva oficializou a sua candidatura a Belém. No discurso em que anunciou a recandidatura, Cavaco Silva disse-se movido pelo “dever de responsabilidade” para com o país. O candidato salientou a importância da sua experiência para “ajudar o país a encontrar um rumo de futuro”.
Cavaco Silva anunciou a candidatura à Presidência da República no mesmo local que há cinco anos. Começou por destacar o apoio incondicional da mulher numa decisão que “nunca é fácil de tomar”. Mencionou “razões pessoais e familiares” a ter em conta antes de decidir mas o “sentido de responsabilidade” e “as ambições” para Portugal falaram mais alto.
“Sei que posso ser útil a Portugal e aos portugueses. Move-me a consciência da gravidade dos problemas que todos temos pela frente”, afirmou Cavaco Silva, numa declaração no Centro Cultural de Belém.
“Perante a situação extremamente difícil em que Portugal se encontra, perante as incertezas e até angústias sentidas por muitos portugueses, concluí que tinha o dever de me recandidatar à Presidência da República”, referiu.
Cavaco Silva evocou depois a sua experiência e conhecimentos, considerando que podem ser úteis para “ajudar o país a encontrar um rumo de futuro e vencer as dificuldades com que está confrontado”.
“Submeto-me, pois, ao julgamento soberano dos meus concidadãos. Faço-o com humildade e confiança”, disse.
Campanha sem cartazes
O candidato anunciou uma campanha “contida nas despesas” que “não ultrapasse metade do permitido pela lei actualmente em vigor”.
“Não colocarei um único cartaz exterior”, disse reconhecendo que a atitude pode prejudicar a sua eleição “face a outros candidatos”, mas realçou que “quando tantos sacrifícios são exigidos ao portugueses, os agentes políticos devem dar o exemplo”.
“Não me sentiria bem com a minha consciência gastando milhares de euros com a afixação de cartazes”, reforçou.
Cavaco Silva rejeitou arrastar-se para uma “linguagem imprópria de um candidato”, defendendo que “a dignidade está primeiro”.
Em nome do “superior interesse nacional”
Durante o discurso de anúncio da recandidatura, Cavaco Silva mencionou por diversas vezes a conjuntura económica portuguesa. Diz-se conhecedor “em profundidade” dos assuntos do Estado e das dificuldades do dia-a-dia. Enumerou depois as competências e os deveres de um Presidente da República enaltecendo a sua experiência e os seus conhecimentos.
“É importante que os portugueses saibam bem quais os poderes que a constituição atribui ao Presidente da República para avaliar as suas posições ideias e atitudes”, alertou.
“Cabe ao Presidente representar a República com dignidade e sentido de Estado e a um Presidente da República exige-se que tenha essas competências, necessárias para defender os interesses de Portugal”, disse lembrando o que tem mencionado noutros discursos.
“A imagem e a credibilidade do país e a confiança que suscita no exterior são da maior importância nos tempos que correm”, afirmou.
“Magistratura de influência”
Cavaco Silva não falou no Orçamento do Estado para 2011 nem das negociações que decorrem entre PS e PSD para viabilizar o documento, mas frisou bem o esforço que tem feito para levar a bom porto o rumo do país.
Um Presidente da República deve zelar pelo “regular funcionamento das instirtuições democráticas, com isençao e imparcialidade, deve favorecer o diálogo, a negociação e a procura de consensos”, mencionou.
“Em caso de crise grave”, acrescentou, só um “árbitro independente, uma personalidade respeitável e credível é que poderá actuar como mediador”.
“Sendo certo que ao Presidente da República não cabe governar nem legislar não deve, contudo, deixar de exercer uma magistratura activa”, defendeu.




