Hu Jintao assina acordos de 14 mil milhões euros em França
A França e a China assinaram em Paris acordos de montante superior a 20 mil milhões de dólares (14 mil milhões de euros), por ocasião da visita de Estado do presidente chinês, Hu Jintao.
A informação foi divulgada pela delegação chinesa e os acordos envolvem, designadamente, as empresas francesas Total, Airbus e Areva.
Durante uma cerimónia no Palácio do Eliseu, vários ministros ou chefes de empresas sucederam-se na assinatura de contratos sob o olhar dos chefes de Estado chinês e francês, Hu Jintao e Nicolas Sarkozy.
Entre aqueles estavam os dirigentes do grupo nuclear Areva, Anne Lauvergeon, do grupo petrolífero Total, Christophe de Margerie, e do construtor aeronáutico europeu Airbus, Thomas Enders.
Os contratos concluídos durante a visita atingem “mais de 20 mil milhões de dólares” e os dirigentes de Pequim tencionam duplicar as suas trocas comerciais com a França em cinco anos, para as elevar a 80 mil milhões de dólares, afirmou à imprensa a vice-ministra dos Negócios Estrangeiros chinesa, Fu Ying.
Anne Lauvergeon declarou à imprensa que a Areva assinou com a elétrica chinesa CNCC um contrato para a construção na China de uma unidade de tratamento de combustível nuclear e para o fornecimento de urânio, no montante de 3,5 mil milhões de dólares.
Por seu lado, a Airbus conseguiu uma encomenda de 102 aviões, no valor de 14 mil milhões de dólares, segundo divulgou a presidência francesa.
As empresas chinesas que comprarão os aviões são a Air China, a China Eastern, a China Southern e uma outra de aluguer de aviões.
Do contrato consta a venda de 50 aviões A320, 42 A330 e 10 A350.
Por sua vez, a Total anunciou que pretende investir dois a três mil milhões de euros numa fábrica petroquímica na China.
A Total e o grupo chinês China Power Investment Corporation (CPI), um dos cinco maiores grupos energéticos do país, “anunciaram a sua intenção de construir na China uma fábrica de transformação de carvão em produtos petroquímicos”, avançou a Total, em comunicado.
A visita do presidente chinês deve confirmar uma reconciliação entre os dois países, esboçada na primavera passada, depois de meses de perturbações ligadas à questão do Tibete.
Está ainda a ser marcada por uma série de contratos e acordos comerciais e industriais, em detrimento, segundo os defensores dos direitos humanos, da questão das liberdades na China.
Sarkozy conta também com esta visita para obter o apoio da China às prioridades da sua presidência do Grupo dos 20, que começa a 12 de novembro.
A vice-ministra dos Negócios Estrangeiros chinesa frisou hoje que a situação do dissidente chinês e Prémio Nobel da Paz 2010, Liu Xiaobo, preso desde 2009, “não é um tema a abordar entre a China e a França”.
Os dois chefes de Estado reunir-se-ão na sexta feira, em Nice, para continuarem as suas discussões.




