Morreu Ernâni Lopes, ex-ministro das Finanças

O economista e antigo ministro das Finanças
Ernâni Lopes morreu hoje, aos 68 anos, disse à Lusa fonte da família. O corpo estará em câmara ardente na igreja das Mercês, Sintra, onde se vai realizar uma missa de corpo presente esta tarde às 19h30, adiantou a mesma fonte.

Ernâni Lopes, que admitiu em 2006 sofrer de linfoma, era atualmente director e professor do Instituto de Estudos Europeus da Universidade Católica e sócio-gerente da consultora SaeR, mas ficou conhecido dos portugueses pela sua passagem pelo Governo do bloco central liderado por Mário Soares (1983 a 1985), onde desempenhou o cargo de ministro das Finanças.

A difícil situação económica e financeira que a economia portuguesa vivia na altura, com um endividamento face ao exterior a atingir um dos valores mais altos, originou a intervenção do Fundo Monetário Internacional, levando o então ministro Ernâni Lopes a aplicar um plano de austeridade.

Catroga lamenta “perda de um amigo e de um colega”

Eduardo Catroga lamentou a morte de Ernâni Lopes considerando tratar-se de um economista que marcou uma época pela “sua craveira intelectual e humana” e pelos serviços relevantes prestados a Portugal.

“Lamento a perda de um amigo e de um colega da minha geração”, disse Eduardo Catroga em declarações à Lusa adiantando que o seu desaparecimento surge quando ainda tinha muito para dar ao país.

Eduardo Catroga disse que Ernâni Lopes foi homenageado em 2009 pela associação de antigos alunos do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) tendo a escola onde se formou e foi professor reconhecido a sua figura pelo contributo que deu para prestigiar a função de economista.

“É uma perda para o país”, lamenta João Duque

O presidente do ISEG lamentou hoje a morte do economista Ernâni Lopes, considerando-o uma “mente brilhante”, que “infelizmente não foi ouvido pelos atuais governantes” num momento crítico para o país.

“É uma perda porque além do que fez tinha claramente capacidades para oferecer ainda mais e as suas últimas reflexões sobre aquilo que Portugal tinha para fazer nos anos vindouros podiam ser inspiradoras para os governantes deste país. Infelizmente não tiveram sequer a mínima intenção de o convocar para o ouvir”, disse João Duque em declarações à Lusa.

Segundo João Duque, o economista e antigo ministro das Finanças foi dos poucos homens no país a enfrentar uma crise e a lidar com o FMI, tendo sabido ultrapassar a situação.

“É uma perda para o país”, disse, adiantando que o ISEG orgulha-se de ter tido como aluno e professor a figura de Ernâni Lopes.

Para o presidente do ISEG, as reflexões de Ernâni Lopes sobre a crise económica e sobre o modelo a seguir para Portugal deveriam ter sido fonte de inspiração para qualquer governo.

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