Putin desagradado com “arrogância, grosseria e falta de ética” da diplomacia dos EUA

O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, manifestou o seu mal-estar face à caracterização norte-americana do Presidente Dimitri Medvedev nos despachos diplomáticos divulgados pela Wikileaks, afirmando que não esperava tanta “arrogância, grosseria e falta de ética”.

Em entrevista concedida ao jornalista Larry King, da estação de televisão norte-americana CNN, na quarta feira à noite, Putin considera que as afirmações de diplomatas norte-americanos contidas num dos despachos que o caracterizam de “Batman” e a Medvedev de “Robin” têm como objetivo “desonrar” um dos dois.

O embaixador norte-americano em Moscovo, John Beyrle, descreveu assim as relações entre os dois principais líderes russos, num relatório enviado em novembro de 2009, ao diretor da polícia federal (FBI), Robert Mueller, na preparação de uma visita deste à Federação Russa.

O primeiro ministro russo afirmou que essa caracterização tem a ver com a realidade da “interação” entre os dois líderes, algo que, disse, “é um fator importante na política interna do país”.

“Para ser honesto, não esperávamos (que se falasse disso) com tanta arrogância, tanta grosseria e de forma tão pouco ética”, afirmou Putin que, contudo, considerou que a divulgação de mais de 250.000 despachos diplomáticos pela Wikileaks “não é uma catástrofe”.

Putin também se referiu a um dos despachos no qual o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, afirma que “a democracia russa desapareceu e que o Governo é uma oligarquia dirigida pelos serviços de segurança”.

O chefe do Governo russo rejeitou taxativamente esta afirmação e garantiu que Gates estava “muito equivocado”, instando as autoridades norte-americanas a não interferirem nos assuntos internos da Rússia.

As notas da embaixada norte-americana em Moscovo alertam também para a implicação da máfia e do crime organizado nos diferentes níveis do Governo russo.

Beyrle acrescenta que “analistas independentes acreditam que nos serviços de segurança existem pessoas com vínculos ao crime organizado”.

Nos despachos divulgados também se informa que os funcionários norte-americanos consideram provável que Putin conhecesse a operação para assassinar Alexander Litivinenko, em Londres, em 2006.

Refere-se ainda o suborno como um sistema de impostos paralelo que permite o enriquecimento de funcionários, polícias e do sucessor do KGB, o serviço de segurança federal (FSB).

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