Doenças psiquiátricas tendem a aumentar por causa da crise
Doenças do foro psiquiátrico, como depressão e ansiedade, têm tendência a aparecer agora com maior intensidade devido à crise económica que o país atravessa, diz o presidente da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental (SPPSM).
António Pacheco Palha mostrou-se “preocupado” com a “evidente tendência” de se intensificarem as doenças psiquiátricas que, está provado, acontece sempre em períodos de crise.
“Muitas doenças mentais, como a depressão e, principalmente, a ansiedade, acabam por ter um aparecimento com maior frequência em camadas inferiores, com dificuldades económicas e de afirmação social“, esclareceu.
O também professor catedrático de Psiquiatria da Faculdade de Medicina do Porto concluiu, portanto, que “sempre que há crise, seja ela de que tipo for, o risco de ser ter uma doença psiquiátrica é maior“.
António Palha falava à agência Lusa a propósito do VI Congresso de Psiquiatria, que vai decorrer a partir de segunda-feira e durante três dias no Estoril dedicado ao tema “Mitos e Evidências em Psiquiatria”
O presidente da SPPSM afirmou que a relação da crise com a saúde mental poderá ser o tema do próximo congresso.
“As consequências (da crise) ainda não se mostraram de forma tão dramática como se imagina, por isso, eventualmente este até será um problema a discutir num próximo congresso, porque faz todo o sentido relacionar a crise com doenças do foro mental“, sustentou.
Várias doenças do foro psiquiátrico, como depressão, ansiedade, esquizofrenia, perturbações e dependências vão ser debatidas durante os próximos três dias no Estoril, num congresso de especialistas que pretende alertar para algumas evidências científicas.
“O tema deste ano (“Mitos e Evidências em Psiquiatria”) pretende reunir e confrontar opiniões e perceber que, além dos mitos que existem em muitas doenças, nenhuma pode ser tratada sem ter por base evidências científicas“, explicou António Palha.
Durante o congresso, patrocinado pela Associação Mundial de Psiquiatria, será ainda lançado o livro “Qualidade de Vida e Saúde: uma abordagem na perspetiva da Organização Mundial de Saúde (OMS).
No último dia terão lugar duas sessões denominadas “Controvérsias” que pretendem responder a questões muitas vezes colocadas na área da saúde mental.
Em 2002, a OMS estimou que 154 milhões de pessoas em todo o mundo sofriam de depressão e 25 milhões de esquizofrenia; que 91 milhões eram afetadas por distúrbios relacionados com consumo de álcool e 15 milhões pelo abuso de substâncias.
O VI Congresso de Psiquiatria vai decorrer de segunda a quarta-feira no Centro de Congressos do Estoril, num encontro em que participarão mais de cem especialistas nacionais e estrangeiros.




