Alemanha propõe novo fundo de estabilização com autonomia face ao BCE
A Alemanha e outros países europeus estão a ponderar a criação de um fundo de estabilização europeu como instituição paralela ao Banco Central Europeu (BCE) para salvar a moeda única, notícia hoje o matutino germânico Sueddetusche Zeitung.
O fundo deverá servir para ajudar países da zona euro em dificuldades financeiras, exigindo-lhes simultaneamente, rigorosa disciplina orçamental, na linha das decisões aprovadas na Cimeira Europeia, em Bruxelas, na semana passada.
Os chefes de Estado e de Governo dos “27” decidiram então criar um mecanismo permanente para estabilizar a moeda única, que substituirá, a partir de meados de 2013, o atual fundo de estabilização de 750 mil milhões de euros, criado em maio, e a que, entretanto, recorreu apenas a Irlanda.
Com base num documento ainda confidencial do governo alemão, mas de que participaram também a Finlândia, a Holanda e a Irlanda, o Sueddetusche Zeitung revela que o novo fundo deverá funcionar como segunda instituição, com plena autonomia, a par do BCE, e o seu refinanciamento deve ser “ilimitado”.
Para isso, os países da moeda única terão de contribuir com garantias bancárias, na proporção do seu poder económico.
Ultimamente, tem havido debates no sentido de aumentar o teto do atual fundo de estabilização financeira, opinião defendida, por exemplo, pelo presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, mas Berlim considerou a medida “desnecessária“.
O facto de a Alemanha reconhecer agora no documento de trabalho do governo que o futuro fundo tem de ter um refinanciamento ilimitado é considerado pelos observadores uma proposta importante para tranquilizar os mercados.
Países da zona euro em dificuldades financeiras poderão também recorrer ao novo fundo para obter empréstimos se apresentarem garantias em reservas de ouro ou em participações em empresas, de acordo com Sueddetusche Zeitung.
“A Alemanha tem interesse nacional na manutenção do euro com todos os seus membros, mas o euro tem de se orientar pelos interesses de estabilidade alemães, para que a Alemanha, como maior economia europeia, possa ser a âncora de estabilidade na zona euro“, afirma-se no documento.
O debate sobre os contornos do novo fundo deverá ter por base o referido documento, e inicia-se já em meados de janeiro no conselho de ministros da zona euro marcado para Bruxelas, refere ainda o jornal alemão.




