Dilma Rousseff tomou posse como 40º Presidente da República do Brasil
Dilma Rousseff, economista de 63 anos, tomou posse como primeira Presidente da República do Brasil, numa cerimónia celebrada na sala plenária do Congresso, em Brasília.
“Prometo manter e defender a Constituição, cumprir as leis, promover o bem geral do povo brasileiro, sustentar a unidade, a integridade e a independência do Brasil”, disse Rousseff, numa sessão solene conduzida pelo presidente do Senado, José Sarney, que também preside ao Congresso.
Em seguida, o novo vice-presidente, Michel Temer, um advogado de 70 anos, recitou o mesmo compromisso.
Após a leitura do juramento, Sarney, que foi Chefe de Estado entre 1985 e 1990, declarou Rousseff e Temer investidos como Presidente e vice-presidente do Brasil, respetivamente, para um mandato que termina em 2014.
Assim, Dilma Rousseff, que foi ministra de Minas e Energia e da Presidência do Chefe de Estado que cessou funções, Luiz Inácio Lula da Silva, torna-se oficialmente sua sucessora.
A concluir a cerimónia, os presentes entoaram o hino nacional brasileiro, interpretado pela banda dos Fuzileiros Navais.
Rousseff chegou à sede do Congresso sob chuva torrencial que a impediu de fazer o percurso até lá a bordo de um automóvel de luxo sem capota, como é tradição nos atos de tomada de posse dos Presidentes brasileiros.
À cerimónia assistiram os chefes de Estado da Bolívia, Colômbia, Chile, El Salvador, Guatemala, Guiné-Bissau, Uruguai, Paraguai, Peru, Guiné-Conacri, Suriname e Venezuela, bem como o príncipe das Astúrias, Felipe de Borbón, e a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton.
Presentes estiveram também os primeiros-ministros de Portugal, José Sócrates, da Bulgária, Boiko Borisov, e da Coreia do Sul, Kim Hwang-Sik, bem como o presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmud Abbas.
Erradicar a pobreza extrema
No seu primeiro discurso no Congresso, a nova Presidente do Brasil Dilma Rousseff classificou como prioritária a erradicação da pobreza extrema.
“A luta mais obstinada do meu governo será para erradicar a pobreza extrema” que atinge ainda 18 milhões de pessoas na oitava economia mundial, sublinhou Dilma Rousseff, referindo que este é “um compromisso” de toda a sociedade brasileira.
A nova presidente também mencionou como prioridades do seu governo a educação, a saúde e a segurança: “Podemos ser um país mais desenvolvido e a evoluir para uma democracia vigorosa”, acrescentou.
Homenagem às mulheres
Noutra passagem da sua intervenção, a Presidente do Brasil homenageou as mulheres e disse que o facto de chegar a chefe de Estado servirá para abrir portas a outras mulheres.
Rousseff destacou o facto de que, pela primeira vez, uma mulher ocupar o lugar de Presidente do Brasil e disse que chega ao poder também “para abrir as portas, para que muitas outras mulheres, no futuro, possam ser Presidentes, e o brasileiro sentir o orgulho e a alegria de ser uma mulher”.
“O meu compromisso supremo é homenagear as mulheres, protegendo o frágil e governar para todos“, disse Dilma Rousseff, no meio dos aplausos.
Desafio de suceder a Lula
Já no seu segundo discurso, Dilma Rousseff disse hoje ser uma “tarefa desafiadora” suceder a Lula da Silva e pediu a união de todos.
“Minhas mãos vão estar abertas e estendidas para todos, desde os nossos aliados de primeira hora até àqueles que não nos acompanharam neste processo eleitoral. É com este espírito de união que eu assumo hoje o Governo do meu país”, afirmou no discurso dirigido aos dezenas de milhares de brasileiros concentrados na Praça dos Três Poderes.
Dilma Rousseff falava no Parlatório, após ter desfilado num carro aberto desde o Congresso Nacional até ao Palácio do Planalto, onde recebeu a faixa presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva.
“Acredito que trabalharei para que estejamos todos unidos pelas mudanças necessárias — na educação, na saúde, na segurança e, sobretudo, na luta para acabar com a pobreza, com a miséria”, acrescentou a nova Presidente do Brasil.
Dilma lembrou que a sua geração foi para a política “em busca da liberdade, num tempo de escuridão”, mas destacou que não carrega qualquer ressentimento ou rancor.
Na avaliação da “Presidenta”, como quer ser chamada, houve muitos avanços no Governo do Presidente Lula, mas ainda há muito para fazer.
“Eu saberei honrar este legado e saberei consolidar e avançar nesta obra de transformação do Brasil”, garantiu, manifestando a sua emoção à despedida de Lula, a quem classificou como o “maior líder popular que o país já teve”.
Dilma Rousseff homenageou também o vice-Presidente de Lula, José Alencar, que continua internado no hospital Sírio Libanês, em São Paulo, com um cancro no intestino.
Prometeu governar para todos e reafirmou o seu compromisso com os mais frágeis e mais necessitados e disse que é preciso ter sonhos para governar um país com as dimensões continentais do Brasil.
“Sonhar e perseguir os sonhos é romper o limite do impossível. (…) Darei todo o meu empenho, toda a minha dedicação para fazer com que as transformações que nós começamos nestes últimos oito anos continuem e prossigam e se expandam. O nosso país tem condições hoje de se transformar no maior e no melhor país para se viver”, concluiu, sob aplausos da multidão.
Após o discurso, Dilma Rousseff recebeu os cumprimentos das autoridades estrangeiras, entre elas o primeiro-ministro português, José Sócrates, e deu posse à sua equipa ministerial, seguindo-se, já no Palácio do Itamaraty, sede da diplomacia do Brasil, uma receção para as personalidades estrangeiras e brasileiras.




