Catástrofes naturais mataram perto de 300 mil pessoas em 2010

Perto de 300 mil pessoas perderam a vida em 2010 na sequência de catástrofes naturais, mais do que o total de mortes provocadas por ataques terroristas nas últimas quatro décadas.

O número é avançado pela Swiss Reinsurance, uma das maiores resseguradoras mundiais, e ultrapassa de forma significativa as cerca de 115 mil mortes provocadas por atentados terroristas entre 1968 e 2009, de acordo com vários relatórios, incluindo do Departamento de Estado norte-americano.

Num dos anos mais mortíferos, com mais de 300 fenómenos naturais extremos registados, o valor estimado dos prejuízos é igualmente impressionante: 38 mil milhões de dólares, segundo a Aon Benfield, uma das maiores corretoras de seguros do mundo.

O sismo que fez tremer o Haiti a 12 de janeiro de 2010, com uma magnitude de 7,3 na escala de Richter, marcou o destino daquele que já era um dos países mais pobres do mundo.

Mais de 230 mil mortos, cerca de 300 mil feridos, milhares de órfãos, perto de milhão e meio de deslocados e 250 mil casas destruídas foram as marcas deixadas pelo sismo, sobretudo na capital Port-au-Prince.

Quase um ano depois, o povo haitiano enfrenta outra tragédia humanitária, uma epidemia de cólera que já fez mais de 2900 mortos, segundo os últimos dados oficiais.

A 27 de fevereiro de 2010, a terra voltou a tremer, mas desta vez no Chile. Um forte sismo de 8,8 graus matou 795 pessoas, segundo as estimativas do Governo chileno, e fez danos em mais de 300 mil casas.

A agência espacial dos Estados Unidos (NASA) disse que o sismo encurtou o dia, em 1,26 microsegundos, e alterou o eixo de rotação da Terra.

Menos de dois meses depois, a Terra voltaria a “contra-atacar” com um vulcão, de nome difícil de pronunciar, que provocou o caos no espaço aéreo europeu, incluindo o português, durante semanas a fio.

O Eyjafjallajokull, localizado na Islândia, entrou em erupção a 14 de abril, criando uma nuvem de cinzas que afetou mais de trezentos aeroportos em todo o mundo.

Em quatro dias, o vulcão ditou o cancelamento de 63 mil voos e reteve quase sete milhões de passageiros. Na altura, a Organização da Aviação Civil Internacional admitiu que os prejuízos provocados pela nuvem de cinza vulcânica ultrapassavam os que foram causados pelos atentados do 11 de setembro.

Em finais de julho, o mundo testemunhou as piores cheias da história do Paquistão, com mais de 20 milhões de pessoas afetadas.

As chuvas diluvianas que se abateram sobre o país provocaram inundações dramáticas num quinto da superfície do Paquistão e mataram perto de 1600 pessoas.

A ONU considerou então que a crise no Paquistão era pior que a do tsunami de 2004 na Ásia.

Na Rússia, o verão mais quente desde que há registos desencadeou uma vaga de incêndios que destruiu vários milhares de hectares e cobriu Moscovo com uma densa nuvem de fumo.

Entre julho e setembro, a Rússia combateu mais de 29 mil incêndios, que provocaram a morte de mais de 50 pessoas e a destruição de 2500 casas.

Quase na reta final do ano de 2010, a Indonésia enfrentou a fúria do vulcão Merapi e um tsunami, que devastou algumas ilhas no Índico. Os dois fenómenos naturais fizeram mais de 500 mortos e dezenas de milhares de deslocados.

Apesar de não ter sido provocada por causas naturais, a maré negra que cobriu o Golfo do México, nos Estados Unidos, deu origem a um dos piores desastres ecológicos de 2010. A explosão de uma plataforma petrolífera da BP originou a fuga diária de mais de 800 mil litros de crude, equivalente a 250 piscinas olímpicas, durante semanas.

Especialistas admitem serem necessários 50 anos para o ecossistema da região ser totalmente recuperado.

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