Bicenténario da histórica ‘Ferreirinha da Régua’ assinalado em 2011

O bicentenário do nascimento de Dona Antónia Adelaide Ferreira vai ser assinalado em 2011 através de uma exposição organizada pelo Museu do Douro que pretende revelar a vida e obra de uma das mais importantes figuras do Douro Vinhateiro.

O diretor do Museu do Douro, Maia Pinto, disse que a exposição de homenagem à “Ferreirinha da Régua” deverá ser inaugurada em meados do próximo ano e representa uma das principais iniciativas que esta estrutura museológica programou para 2011.

A mostra Dona Antónia Adelaide Ferreira pretende evocar a vida singular da mulher que administrou a maior casa agrícola do Douro.

A “Ferreirinha”, como carinhosamente é recordada pelos durienses, nasceu a 04 de julho de 1811, na Régua, e morreu em março de 1896, na quinta das Nogueiras.

Maia Pinto referiu que vai ser uma exposição de “género”, sobre o papel “sui generis” que uma “mulher empresária desempenhou no mundo machista e conservador do século XIX”.

Dona Antónia adquiriu 23 quintas no Douro Vinhateiro. A empresária ficou conhecida pela luta que travou contra a filoxera, uma praga que, na segunda metade do século XIX, destruiu muitas vinhas durienses.

Após a praga, a empresária mandou replantar vinhas, pagou a construção de quilómetros de estradas e de caminhos-de-ferro e chegou a dar trabalho a mil operários.

Além da mulher de negócios, destaca-se ainda a sua dimensão social, já que ajudou a construir os hospitais de Peso da Régua, Vila Real, Moncorvo e Lamego e ajudou ainda a Misericórdia do Porto.

Dois anos depois da sua morte, foi criada a Companhia Agrícola dos Vinhos do Porto, mais conhecida por “Casa Ferreirinha”.

Maia Pinto salientou que Dona Antónia é ainda hoje “um símbolo da iniciativa, da perseverança e da luta individual em defesa de um bem coletivo, o Douro e a região vinhateira”.

A exposição, que ocupará a ala central da sede do museu, no Peso da Régua, pretende ainda cativar novos públicos para o Douro e dar a conhecer esta “figura incontornável” da história da mais antiga região demarcada do mundo aos alunos e professores da região.

O Museu do Douro, inaugurado em dezembro de 2008, conta com um orçamento de 1,4 milhões de euros para 2011, menos um milhão de euros do que o que estava previsto para este ano.

Esta estrutura também se ressentiu com a crise e, segundo Maia Pinto, algumas iniciativas previstas para 2010 como a grande exposição anual “Rios Douro” não se chegou a concretizar.

Agora, entre os eventos previstas para 2011, Maia Pinto destacou ainda o arranque da exposição de fotografia “Entre Margens”, que terá direção artística da Procur.arte, e se desenvolverá até 2013 em Mirandela, Lamego, Vila Real, Régua, Santa Marta de Penaguião e Porto.

Com um orçamento de 1,3 milhões de euros, o projeto inclui a realização de conferências ou espetáculos de teatro e dança.

No próximo ano deverão ser lançados os concursos públicos para a construção de dois núcleos museológicos para os quais foi aprovado financiamento, designadamente o do Vinho, em São João da Pesqueira, e o da Seda, em Freixo de Espada Cinta.

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