Alegre desafia Cavaco a publicitar o negócio da venda das acções do BPN

O candidato presidencial Manuel Alegre desafiou hoje Cavaco Silva a revelar pormenores sobre a venda das suas ações do BPN, designadamente se as vendeu ao presidente do banco e porque razão elas se valorizaram em 40 por cento em pouco tempo.

Manuel Alegre, que no início do almoço com os elementos da comissão de honra da sua candidatura na Madeira havia recusado adiantar mais pormenores sobre as questões que iria colocar a Cavaco Silva no seu discurso no jantar com os apoiantes, acabou por declarar aos jornalistas que considera ter “chegado a altura de Cavaco Silva tornar público o contrato de venda das suas ações” no BPN.

Diz ser necessário “saber a quem as vendeu, como é que em tão pouco tempo aquelas ações se valorizaram cerca de 40 por cento. E, se isso é verdade, e se por acaso ele as vendeu ao presidente do BPN, então é um caso político e tem de ser publicitado. Se não está tudo bem”.

Para o candidato presidencial Manuel Alegre, o seu principal adversário “diz que tem um compromisso com a verdade, como tal deve dizer a verdade toda”.

“Não estou a pôr em causa, nem a fazer insinuações, isto é um facto político. Ele é Presidente da República, não é um cidadão qualquer”, declarou.

Concluiu que neste momento os elementos sobre este caso “são rumores e a partir do momento em que isso acontece, em qualquer país do mundo, em qualquer pais democrático… essas coisas têm de ser esclarecidas para bem dele, para bem da República e para bem da ética republicana”.

Manuel Alegre efetua hoje uma visita à Região Autónoma da Madeira no âmbito da pré-campanha para as eleições presidenciais de 23 de janeiro.

O programa inclui esta tarde uma reunião com os responsáveis da Associação Comercial e Industrial do Funchal (ACIF), uma arruada na capital madeirense e um jantar com apoiantes no Madeira Tecnopolo, o mesmo local onde Cavaco Silva reuniu cerca de 3000 pessoas segunda-feira.

Explicações de Cavaco sobre BPN não encerram o

“Ele está sempre a remeter para o site, mas o Presidente da República tem de responder ao país e ao povo português e vai ter que responder a outras coisas”, referiu.

Acrescentou que Cavaco Silva fez na Madeira “mais uma crítica à atual administração do BPN, com o argumento que esta é pública e a outra era privada. Parece que não retirou nenhuma ilação, nem explicação da crise mundial”.

Para Manuel Alegre, os argumentos de Cavaco Silva sobre esta situação “não encerram o caso e há muita coisa que vai ter que explicar, porque o problema aqui é o da gestão danosa e criminosa da anterior administração”.

Segundo o candidato presidencial, os bancos têm regras sejam públicos ou privados e “ele [Cavaco Silva] que passou pelo Banco de Portugal devia saber isso. Os bancos que provocaram as crises também eram bancos privados, parece que ele como economista e homem experiente não tirou lições da crise”.

A atual situação do banco deve-se à “gestão danosa e criminosa da anterior administração e sobre isso ele nunca disse nada”, apontou Manuel Alegre.

Assim, Alegre prometeu que no seu discurso de logo à noite com os apoiantes da sua candidatura na região, no mesmo local onde decorreu o de Cavaco Silva, no Madeira Tecnopolo, “vai fazer um discurso e perguntas que Cavaco Silva como Presidente da República vai ter que responder sem mandar para o site”.

Manuel Alegre admitiu que está “a medir forças com o meu principal adversário, desde o início”, apontando que já havia anunciado a sua visita à Madeira há cerca de um mês, “não havendo problema” no facto de ter coincidido com a deslocação de Cavaco Silva.

Instado comentar as declarações de Cavaco Silva que este não é tempo para “experimentalismos” e que deve haver na Presidência da República alguém com experiência e conhecimento face à atual situação, Manuel Alegre salientou: “Essa experiência não serviu para nada porque nós estamos na situação em que estamos”.

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