Passos quer Constituição revista e combate ao desemprego
“Vamos rever a Constituição e depressa”. Foi este um dos reptos lançados por Pedro Passos Coelho no discurso de encerramento de Carcavelos, onde foi consagrado líder do PSD. O novo presidente social-democrata defendeu que o processo de revisão da Lei Fundamental deve estar concluído antes das eleições presidenciais, que ocorrem no início do próximo ano.
E aos que possam estar desconfiados com as “mudanças” que o PSD quer introduzir na Constituição, Passos afirmou que o “equilíbrio de poderes no que toca ao Presidente da República está muito bem”, mas defendeu alterações na legislação eleitoral para permitir que os eleitores escolham quem querem que os represente no Parlamento e que não estejam limitados aos nomes impostos pelas lideranças partidárias.
Passos lembrou que o PSD é um partido reformista e que vai apostar na transparência. Por isso, vincou que muitas das reformas que são necessárias em Portugal exigem uma revisão constitucional, em especial na justiça. O líder social-democrata defende que os portugueses que pagam impostos devem ter direito a fazer as suas escolhas na saúde e na educação.
“Nós não defendemos o Estado em tudo. Há Estado a mais na economia, nas empresas, nos negócios. Deve dizer às pessoas que aposta nas suas iniciativas. Defendemos a retirada do Estado na área económica”, vincou ainda Passos, contestando o Programa de Estabilidade e Crescimento, que prevê muitas privatizações para combater o défice, e apresentando em alternativa a aposta em privatizações com critério económico e de interesse nacional.
Para Passos Coelho, “o Estado não é solução para tudo” e lembra que há “boas empresas que estão a fechar”, o que tem aumentado uma das “chagas” em Portugal: o desemprego. O líder do PSD alertou para o drama do desemprego jovem, que chega aos 21% e propôs uma mudança de paradigma na forma como o Estado apoia quem fica sem trabalho: Passos defende que seja entregue às empresas o valor dos subsídios de desemprego de modo a manter os trabalhadores no activo, pois Portugal “não tem disponibilidade paga pagar salário a quem não trabalha”..
Logo no início do discurso, líder social-democrata repetiu uma ideia que Ferreira Leite frequentemente lançava: cabe ao governo governar e não às oposições. No entanto, Passos prometeu que se notará uma diferença clara entre o PSD e o PS e que vai apostar num sentido positivo da política e das ideias.




