Governo admite que portagens não são suficientes para pagar encargos com estradas
O secretário de Estado das Obras Públicas, Paulo Campos, admitiu hoje, em Aveiro, que as receitas provenientes das portagens nas SCUT não são suficientes para fazer face aos encargos que o Governo tem com estas estradas.
“Mesmo as portagens que são recolhidas não são suficientes para fazer face aos encargos que temos com estas estradas”, afirmou o governante, reconhecendo que, neste momento, “o povo continua a pagar uma parte, através dos impostos que entrega ao Estado”.
O secretário de Estado falava durante uma conferência, subordinada ao tema “Qual o impacto dos custos das SCUT no desenvolvimento da região”, promovida pelo Jornal de Notícias, que decorreu esta noite.
Outro dos convidados da conferência foi o presidente da Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro (CIRA), Ribau Esteves, que acusou os sucessivos Governos envolvidos no processo de implementação das portagens nas SCUT de “falta de produtividade”.
“Desde que começou esta telenovela das portagens nas SCUT já lá vão cinco governos e passaram sete anos”, lembrou Ribau Esteves, afirmando que isto representa “um nível de produtividade muito baixo e uma atitude muito pouco exemplar para os cidadãos”.
O autarca atribuiu uma nota “muito negativa” ao processo das portagens nas SCUT, criticando ainda as “mutações em espaços de tempo tão curtos” nas políticas de ordem estrutural para o país.
“Na gestão de uma estrutura como o Estado, não é aconselhável, não é financeiramente sustentável, não é socialmente admissível e é politicamente absurdo que políticas ligadas a matérias estruturantes, como as obras públicas, os transportes, a saúde, a educação e a justiça, tenham mutações ligadas aos ciclos do Governo – e em Portugal até se abusa –, aos ciclos de ministro ou de secretário de Estado”, defendeu.
“Isto só pode dar asneira”, afirmou o autarca do PSD, que considera que “boa parte” dos problemas que o país vive “tem origem numa falta de estabilidade das políticas de Estado que são importantes para a vida das pessoas”.




