Presidente do Egipto defende uso do Exército para controlar a situação
O presidente egípcio, Hosni Mubarak, apareceu hoje na televisão pela primeira vez desde que começaram os protestos exigindo a sua retirada, para defender a atuação das forças de segurança e prometer reformas.
Hosni Mubarak anunciou ainda que vai remodelar o governo.
“Pedi ao governo que resignasse. Amanhã [sábado] nomearei outro governo”, disse Hosni Mubarak.
Os manifestantes apoderaram-se das ruas do Cairo, confrontando-se com a polícia, queimando edifícios do partido governamental e desafiando o recolher obrigatório, reforçado com a mobilização de militares para as ruas.
Este é o maior desafio com que Mubarak se vê confrontado nas suas três décadas de poder autoritário.
Obama exige cumprimento de promessas
O presidente Barack Obama pediu ao seu homólogo egípcio para tomar “medidas concretas” na reforma política que pretende levar adiante e para não usar a violência contra os manifestantes que protestam contra o regime.
“Eu pediria muito claramente às autoridades egípcias que se abstenham de recorrer à violência contra manifestantes pacíficos”, disse Obama pouco depois de conversar por telefone com Mubarak.
“O povo egípcio tem direitos que são universais. Isso inclui o direito de manifestação pacífica, o direito à liberdade de expressão e da capacidade de escolher o seu próprio destino”, sublinhou.
Obama disse que pediu ao presidente egípcio para manter as promessas que fez no comunicado aos seus compatriotas esta sexta-feira.
“Disse-lhe que ele tinha a responsabilidade de dar sentido a essas palavras. Disse-lhe para tomar medidas concretas para cumprir as suas promessas”, assegurou Obama.
Número de mortos sobe para 29
Pelo menos 29 pessoas morreram hoje nas cidades egípcias de Cairo e Suez, no seguimento da repressão dos protestos, segundo fontes médicas, informa a agência Efe, citando televisões árabes.
A cadeia televisiva Al Jazeera (Qatar) adiantou que só no Cairo houve 16 feridos, que estavam em hospitais próximos da Praça de Tahrir, que faleceram em resultados dos ferimentos sofridos.
Na cidade de Suez morreram 13 pessoas que tinham participado em manifestações, segundo a contagem da televisão Al Arabiya (Emirados Árabes Unidos).
O Egito é o maior país árabe, com uma população de 80 milhões de pessoas, e vive uma situação de turbulência sócio-política desde 25 de janeiro, com milhares nas ruas a exigir que Mubarak saia do poder.
A Suécia, entretanto, defendeu esta noite, pelo seu ministro dos Negócios Estrangeiros, Carl Bildt, que “o Egipto necessita de uma iniciativa política que conduza a uma eleição presidencial aberta e democrática este ano”.




