Oposição quer saída de Mubarak, governo de salvação e libertação de presos políticos

Grupos da oposição egípcia criticaram hoje o discurso do presidente Hosni Mubarak no fim da jornada mais sangrenta dos protestos dos últimos dias, insistindo na sua renúncia, reporta a Efe.

“O discurso de Mubarak não corresponde às aspirações do povo”, considera, em comunicado, a União Nacional para a Mudança (UNM), liderada pelo Prémio Nobel da Paz, Muhammad al-Baradei.

Esta organização, criada há um ano, para promover reformas eleitorais e políticas no país, entende que os egípcios devem continuar com os seus protestos, que começaram na terça-feira, “até que Mubarak se vá”.

Pretende também a formação de um governo provisório “de salvação nacional”, a dissolução do parlamento, a anulação do estado de emergência vigente desde 1981 e a libertação dos presos políticos.

Outro partido da oposição, o Ghad, liderado pelo ex-candidato presidencial Ayman Nur, também criticou o discurso e disse que não considera as pretensões populares. “Lamentamos que não contenha as reclamações de mudança”, considerou.

A cadeia televisiva do Qatar Al Jazeera divulgou declarações de um dirigente do principal grupo da oposição, a Irmandade Muçulmana, Abdelmenam Abdelfatah, que reclamou a saída de Mubarak do poder e pediu ajuda ao exército para manter a segurança no país.

Mubarak ordenou na quinta-feira ao exército que ajude a polícia, depois dos protestos registados no Cairo e noutras cidades, que causaram, só hoje, uma trintena de mortos.

A chegada dos soldados às ruas tem sido saudada com manifestações de alegria pelos manifestantes.

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