Duras críticas ao Governo na despedida de António Capucho da Câmara de Cascais

O presidente da câmara de Cascais, António Capucho (PSD), que hoje anunciou a suspensão do seu mandato autárquico por motivos de saúde, despediu-se do concelho que liderou durante nove anos com críticas ao Governo.

“Os impactos da crise que todos os municípios enfrentam são muito agravados em Cascais enquanto este Governo subsistir em funções, pois é evidente e escandalosa a sucessão de desmandos, discriminações e agravos que sofremos”, afirmou António Capucho, durante a cerimónia de comemoração dos nove anos da sua governação.

A “absurda” extinção da Junta de Turismo da Costa do Estoril e a “cativação ilegal” das receitas de jogo foram alguns dos exemplos dados por Capucho como “afronta” do Governo.

Todos os ministérios foram alvos da crítica de Capucho, o da Educação por criar mega-agrupamentos, a ministra do Trabalho por encerrar “sem aviso prévio” o serviço da Segurança Social da Parede, o Ministério do Ambiente por recusar “sem fundamentos” a instalação da Fundação Champallimaud em Cascais e o ministro das Obras Públicas por suspender os investimentos “inadiáveis” previstos para a linha férrea de Cascais.

Também o ministro da Finanças não escapou às críticas de António Capucho, que acusou Teixeira dos Santos de pretender destruir o Estado Social. “O mesmo ministro que acaba escandalosamente de brindar Cascais com a decisão ilegal de eliminar as transferências que nos são devidas no âmbito do Fundo Municipal e do Fundo de Equilíbrio Financeiro, além de que nada prevê para o nosso município no âmbito do Plano de Investimentos da Administração Central”, sustentou.

No final da cerimónia, António Capucho disse ainda aos jornalistas que, em relação ao ano passado, sente-se prejudicado pelo Governo em cerca de 12 milhões de euros.

Depois de notícias divulgada na quinta-feira, António Capucho confirmou hoje a suspensão do seu mandato por um ano por “razões estritamente pessoais”, sublinhando que deixou de reunir “condições físicas e anímicas” para desempenhar o cargo.

As funções de presidente da câmara de Cascais passarão a ser assumidas por Carlos Carreiras, atual vice-presidente, que terá as mesmas competências que foram delegadas a António Capucho aquando da sua eleição.

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