Chineses celebram na quinta-feira a entrada no Ano do Coelho
Os chineses celebram na quinta-feira a entrada no Ano do Coelho, com a carteira mais recheada do que há um ano, mas ainda preocupados com a inflação, que excedeu os três por cento preconizados pelo governo.
O novo ano lunar é, aliás, especialmente propício para tentar pôr as finanças em dia: considerado discreto e introvertido, mas também ambicioso, o coelho costuma ter sorte nos negócios.
Um dos negócios pode ser o próprio coelho, que ao contrário do búfalo, tigre, dragão, porco e outros signos do milenar zodíaco chinês, é suscetível de ser convertido em animal de estimação.
Organizações de defesa dos direitos dos animais já denunciaram o “tráfico de coelhos” através da internet: os animais são expedidos pelo correio sem certificação veterinário, numa caixa que diz apenas “frágil”.
O fenómeno não é novo e o desfecho pode ser uma repetição do que aconteceu no último Ano do Coelho, em 1999.
“Centenas de coelhos foram abandonados e este ano vamos provavelmente assistir ao mesmo e numa escala ainda maior”, alertou o Diário de Xangai.
Superstições e modas áparte, a passagem do ano lunar continua a ser a maior festa tradicional da China e das comunidades chinesas espalhadas pelo mundo.
As escolas fecham durante um mês e para milhões de trabalhadores, sobretudo os operários oriundos das zonas rurais, a quadra proporciona as únicas grandes férias do ano.
Centenas de milhões de chineses viajam nesta altura rumo à casa da família para celebraram juntos a entrada no novo ano.
Só o ministério chinês dos Caminhos de Ferro espera transportar 230 milhões de passageiros entre 19 e Janeiro e 01 de Março, um período de 40 dias que é considerado a maior migração anual do mundo.
Aquele número representa um aumento de 12 por cento em relação ao ano passado e reflecte, também, a melhoria do nível de vida da população.
Segundo estatísticas oficiais, o rendimento anual per capita nas zonas urbanas aumentou 7,8 por cento em 2010, para 19.109 yuan (2.120 euros) e nas áreas rurais, onde a maioria ainda vive, subiu 10.9 por cento, para 5.919 yuan (660 euros).
O valor anual da inflação foi de 3,3 por cento, mas em novembro a subida no índice de preços no consumidor chegou a 5,1 por cento, o valor mais alto em quase dois anos.
A subida mais acentuada, e socialmente mais dura, foi nos produtos alimentares, que aumentaram 7,2 por cento.
Em dezembro, a subida de preços abrandou, para 4,6 por cento, mas o espetro da inflação tenderá a pairar sobre o Ano do Coelho.
Quanto a vaticínios, o mais consensual é que a China não conseguirá igualar o crescimento de 10,3 por cento alcançado em 2010, mas a economia – como a astrologia –não é, necessariamente, uma ciência exacta.




