Oposição recusa negociar com o governo egípcio até que Mubarak se demita

A coligação das forças de oposição egípcias não aceita negociar com o Governo até que o Presidente Hosni Mubarak se demita, disse hoje à agência noticiosa francesa AFP, o porta-voz Mohammed Aboul Ghar. Os confrontos da ultima noite na parça Tahir, no centro da capital, entre manifestantes pró e anti Mubarak, fizeram cinco mortos e mais de oitocentos feridos.

Ao início do dia, a televisão estatal do Egito anunciara que o vice-presidente egípcio, Omar Suleiman, tinha iniciado um “diálogo” com “partidos políticos e forças nacionais”.

Também o primeiro-ministro, Ahmad Chafic, falou em reuniões entre membros do governo e “representantes da oposição”, para “encontrar uma solução para a atual situação”.

No entanto, a fonte citada pela AFP disse que a Coligação Nacional para a Mudança, liderada pelo Nobel da Paz Mohamed ElBaradei, se recusa a negociar.

“A nossa decisão é clara: não há negociações com o governo até à saída de Mubarak. A partir daí, estaremos dispostos a negociar com Suleiman”, disse Aboul Ghar.

Depois da batalha, o desânimo dominava hoje de manhã os rostos dos manifestantes na praça Tahrir, no centro do Cairo. Tratavam-se feridas, lamentavam-se os mortos e procurava-se o descanso que a noite de conflito permanente com a fação pró-regime não permitiu.

Por toda a praça, vêem-se vestígios de muitas horas de batalha campal entre os que querem a saída de Hosni Mubarak e os que se levantaram em defesa do Presidente, sobretudo feridas, centenas de pessoas com ligaduras, sangue seco na roupa e expressões de cansaço e desânimo.

Durante a noite, em que ocorreram confrontos e escaramuças de grande violência entre elementos dos dois campos, os soldados não tomaram nenhum tipo de ação para acabar com os confrontos, disparando tiros para o ar para evitar a disseminação da luta, mas sem intervir para além disso.

Hoje de manhã, os tanques constituíram uma barreira entre os “contras” e os “prós”, que se começaram a reagrupar frente à outra fação depois de uma breve acalmia nos confrontos, ao início da madrugada.

Por enquanto, os dois lados mantêm-se nas suas posições.

Na praça, onde ao contrário do que acontece nas áreas dominadas pelos pró-Mubarak, os jornalistas ainda são bem vindos, os manifestantes anti-Mubarak ainda ajustavam contas com os que, como eles, estiveram do outro lado a arremessar pedras continuamente.

“Prendemos 45, eram elementos das forças de segurança de Mubarak”, disse Abdel Hai.

Minutos depois, uma multidão levava pela praça um homem com as calças ao fundo das pernas, alguns a bater-lhe, outros a tentar protegê-lo.

“Vamos entregá-lo ao Exército, foi o que fizemos com os outros”, disse Abdel.

Ao entrar na praça, um outro egípcio, que não quis ser identificado, vinha à frente de uma dezena de pessoas que traziam caixotes de comida para os que tinham passado a noite na praça Tahrir.

“Quando Mubarak discursou para dizer que queria fazer uma transição política, disse uma coisa a que as pessoas não prestaram atenção: ‘Vou morrer aqui'”.

Para o homem, que se questionava por que razão outros governos pelo mundo não tentavam forçar o regime a mudar, com essa frase Mubarak quer dizer “eu vou ficar”.

Noutro ponto da praça, começava mais uma manifestação, a primeira a encher com palavras de ordem o local, habitualmente repleto delas mas hoje silencioso.

Os manifestantes da praça Tahrir também ficam, para já.

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