Mubarak gostava de abandonar o poder, mas tem medo das consequências

O presidente egípcio, Hosni Mubarak, assegurou  hoje que gostaria de abandonar o poder, mas que não pode fazê-lo porque  receia o caos que tal decisão instalaria no país, divulga o canal televisivo  norte-americano ABC.

Ao décimo dia de uma contestação inédita ao seu regime, Mubarak afirmou que está “farto de ser presidente” e que “gostaria de sair do poder agora”, mas que não pode fazê-lo, por recear que o país caia no caos, segundo a ABC, que o entrevistou durante 20 minutos, no Cairo.

Mubarak declarou também que não quer ver “os egípcios a lutarem entre si”, depois das violências que opõem os seus apoiantes aos manifestantes que reclamam a sua saída.

Entretanto os dois homens-fortes do remodelado governo egípcio já pediram desculpa pela violência, convidaram a Irmandade Política ao diálogo e garantiram mudanças políticas nos próximos duzentos dias. Mas nas ruas, os confrontos entre apoiantes e opositores de Mubarak alastraram a todo o Cairo e já provocaram 10 mortos e seiscentos feridos.

Clinton exige diálogo imediato com oposição

A secretária de Estado norte-americana exigiu hoje ao governo egípcio que inicie “imediatamente” um diálogo com a oposição sobre o futuro do país e sublinhou que o exército tem o dever de proteger os manifestantes.

Hillary Clinton condenou também os “inaceitáveis” ataques aos jornalistas que cobrem a crise egípcia, noticia a AFP.

“Condenamos, nos termos mais enérgicos, os ataques aos jornalistas, manifestantes pacíficos, ativistas de direitos humanos, estrangeiros e diplomatas; é uma violação das normas internacionais que garantem a liberdade de imprensa e é inaceitável em qualquer circunstância”, frisou.

O Comité para a Protecção dos Jornalistas (CPJ, na sigla em inglês) responsabilizou hoje, pessoalmente, Hosni Mubarak pelos ataques contra jornalistas na cobertura da crise política no país.

A organização defensora dos direitos dos jornalistas assinalou que o número de profissionais atacados até quarta-feira por presumíveis apoiantes do regime de Mubarak aumentou com as novas agressões nas últimas horas, nomeadamente contra profissionais dos norte-americanos Washington Post e New York Times, do canadiano Canadian Globe e Mail, dos espanhóis ABC-Vocento e La Vanguardia, além de outros meios de Turquia, Brasil e outros países.

Foram ainda agredidos jornalistas, produtores e operadores de câmara das televisões CNN-IBN, Al Arabiya, Al Jazeera, BBC, CBC e da regional catalã TV3, entre outros.

O CPJ denunciou também que, “durante os últimos dois dias, representantes do governo, jornalistas pró-governamentais e comentadores leais a Mubarak estão a realizar uma campanha sistemática contra os estrangeiros, em particular jornalistas estrangeiros, como se fossem espiões”.

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