Compositor Nuno Malo “completamente surpreendido” com prémio revelação
Nuno Malo, distinguido hoje com o Prémio Compositor Revelação pela Associação Internacional de Críticos de Música para Cinema, afirmou à Lusa ter ficado “completamente surpreendido”.
“Foi uma alegria, é um sentimento difícil de descrever”, disse compositor de 33 anos, distinguido pela autoria da banda sonora de “Amália — O Filme”, de Carlos Coelho da Silva.
O filme estreou em novembro de 2008 em 66 salas portuguesas e estava também nomeado para a Melhor Banda Sonora.
“O facto de ter sido por um filme pequeno (em termos de orçamento), significa que a música está mesmo a ser reconhecida, até porque o filme tem pouca expressão a nível internacional”, disse.
“Fiquei muito tocado por terem reconhecido o meu trabalho”, enfatizou.
O compositor português afirmou que “ainda estava nomeado” e já tinha recebido um convite para trabalhar num projeto norte-americano e reconhece que com esta distinção há uma maior expetativa “quanto a abertura de portas para propostas criativas na área da música para filmes”.
Desde jovem que o interesse de Malo foi sempre compor música para filmes, tendo começado a estudar composição aos 14 anos na Escola Profissional dos Arcos, no Estoril.
“Na altura era a única onde se podia estudar composição dentro daquela faixa etária dos 14/15 anos. Foi uma escola fundada pelo violinista Luís Cunha e músicos russo, e que seguiam o método russo”, disse.
“A razão pela qual comecei a estudar música foi para fazer música para cinema e aquela escola (que hoje já não existe) ajudou-me muito, deu-me um grande empurrão”, afirmou.
Em 1996 foi estudar música para cinema em Londres, onde recebeu, entre outros prémios, a medalha de prata do Worshipful Company of Musicians, o Henry Purcell Prize e o Malcom Arnold Prize.
Em 2000 mudou-se para os Estados Unidos para estudar na University of Southern Califórnia, em Los Angeles, vivendo desde então em Studios City.
Com esta distinção, o compositor português afirmou que sente “uma maior responsabilidade” apesar de garantir que sempre se dedicou “a 110 por cento” a cada projeto em que se envolveu.
Distinguido na categoria de Compositor Revelação, Nuno Malo considera “uma honra enorme” a nomeação para Melhor Banda Sonora para um Drama, por “estar ao lado de todos aqueles grandes nomes”.
Concorriam nesta categoria Clint Mansell pelo filme “Cisne Negro”, James Horner por “Karate Kid”, Carter Burwell por “Indomável”, e Alexandre Desplat por “O Discurso do Rei” que foi o vencedor.
A música para o filme biográfico de Amália Rodrigues foi interpretada pela Filarmónica de Budapeste, uma escolha do compositor, por ter já trabalhado com a orquestra húngara dirigida por Geza Torok.
Entre as várias peças compostas por Malo para o filme sobre a vedeta falecida em 1999 estão “Bola de Berlin (Young Amália)”, “The Cliff”, “Fruit to Sailors”, “Amalia Tenders to the Poor”, “The Death of Aninhas” e “Trashed Poem”.
Quanto ao futuro em Portugal, Malo afirmou que “há projetos com o Leonel Vieira (com quem costuma trabalhar) mas nada de concreto ainda”.
Após a música para “Amália — o filme”, Malo já escreveu a música para “Contraluz” (2010), de Fernando Fragata, e assinou também a banda sonora de “Assalto ao Santa Maria” (2010), de Francisco Manso.




