“GERAÇÃO À RASCA”
Decorreu ontem, no Irish Bar, em Viseu, uma conferência de imprensa do protesto da “Geração à Rasca”, que terá lugar no próximo dia 12, sábado, pelas 15horas, no Rossio desta cidade.
A “conversa” com a comunicação social serviu sobretudo para “oficializar” a realização da manifestação em Viseu, a par com outras cidades do país, como Lisboa e Porto. Kátia Outeiro e Paulo Agante – que iniciaram a organização deste protesto em Viseu – começaram por salientar que este é um protesto “apartidário, laico e pacífico” contra a precariedade em Portugal. Estágios não remunerados, falsos trabalhos independentes (recibos verdes) e desemprego são apenas algumas das situações alvo desta insatisfação.
Os organizadores explicaram que a “Geração à Rasca” não tem idade, uma vez que, embora sejam os jovens licenciados os mais afectados, há muitos outros portugueses de várias idades a vivenciar situações de precariedade e desemprego. Por isso, e também porque este é um “movimento” independente, os jovens salientaram que não são líderes deste descontentamento, afirmando-se apenas como mais dois cidadãos a viver “à rasca”.
A influência da música “Parva que sou”, dos Deolinda, foi também tema de conversa. Paulo e Kátia consideram que este foi “o mote para que houvesse um despertar de consciências e para acordar as pessoas da apatia em que se encontravam”.
Licenciados em Comunicação Social, os organizadores falaram ainda das suas experiências laborais como um de muitos outros exemplos de evidente precariedade. “Em alguns locais não nos querem por termos habilitações a mais e nos outros não nos querem porque não temos experiência suficiente”, afirmam sem esquecerem os estágios não remunerados que abundam “nesta e em muitas outras áreas”.
O grupo que está a unir esforços para divulgar este protesto é bem mais amplo e tem-se unido para distribuir flyers e informar as pessoas para esta causa. Segundo Paulo Agante, “a reacção das pessoas tem sido muito boa, há pessoas de todas as idades a dizer que vão estar presentes e a apoiar a causa” embora os já 600 aderentes no facebook não sejam “um número preciso e viável, porque há muita gente na rua que não tem facebook ou não teve acesso ao evento, daí a importância destas acções de rua” que se irão manter em vários locais da cidade e distrito.
Quando questionados se o objectivo desta manifestação passava pela queda do governo, a resposta foi que “isso não chega…é preciso uma renovação política, são sempre os mesmos rostos, os mesmos partidos a alternar entre si, as mesmas politicas e interesses…é preciso quebrar este sistema para podermos ter alguém que lute connosco e que mude todas estas situações insustentáveis que levam cada vez mais jovens a imigrar”.
Em jeito de remate, os organizadores apelaram à participação activa de todos os viseenses e não só, tanto no protesto como na organização do mesmo, de forma que se possa “lutar a uma só voz pelo futuro”. Para além disso pediram também a quem quiser marcar presença no Rossio, no dia 12, para levar “uma folha A4 com um problema e uma solução para este tema, para depois serem entregues na Assembleia da República”.
Para o dia da manifestação a organização está ainda a estabelecer contactos de forma a conseguir ter um espaço de microfone aberto para as pessoas relatarem os seus casos pessoais, e também com algumas figuras públicas de Viseu que possam apoiar esta “Geração à Rasca”, entre outras “surpresas” que tentarão disponibilizar no dia do protesto.




