Governo líbio acusa EUA, França e Reino Unido de quererem dividir o país
O chefe da diplomacia líbia, Mussa Kussa, acusou hoje à noite a França, o Reino Unido e os Estados Unidos de “conspiração para dividir a Líbia”.
“Está claro que a França, o Reino Unido e os Estados Unidos estão em contacto com os que desertaram [e passaram para a oposição ] no Leste líbio”, afirmou Kussa, citado pela agência AFP, durante uma conferência de imprensa em Tripoli.
O ministro dos Negócios Estrangeiros líbio referia-se ao Conselho Nacional Líbio, instituído pelos representantes da insurreição que, desde 15 de fevereiro, se opõe às forças de Muammar Kadhafi e se proclamou “o único representante da Líbia”.
Os chefes da diplomacia dos países que integram o Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) pediram hoje ao Conselho de Segurança das Nações Unidas para que proteja o povo líbio da sucessiva violência que assola o país.
A CCG, também denominado Conselho de Cooperação dos Estados Árabes do Golfo Pérsico, é uma organização que engloba seis estados da região – Omã, Emirados Árabes, Arábia Saudita, Qatar, Bahrein e Kuwait.
No seu discurso, citado pela agência Efe, o ministro dos Negócios Estrangeiros dos Emirados Árabes, Abdalá bin Sayed al Nahian, apelou à “comunidade internacional, especialmente ao Conselho de Segurança da ONU, para que assuma as suas responsabilidades históricas e protega o povo [líbio] querido”.
“As duras transformações que o povo irmão líbio atravessa exigem que se unam esforços para apoia-lo na sua dificuldade”, frisou Abdalá bin Sayed al Nahian, na reunião ministerial do Conselho, em Abu Dhabi, Emirados Árabes.
Por sua vez, o secretário-geral da organização, Abdelrahman al Ateya, manifestou a esperança de que “acabe o pesadelo que controla um país como a Líbia”, referindo-se ao coronel Muammar Kadhafi.
“Os massacres que comete o regime contra os cidadãos pressupõem um crime contra a humanidade que deve ser condenado, especialmente porque o regime líbio recorre a mercenários e a armas pesadas, numa perigosa violação dos direitos humanos”, acrescentou.
Para al Ateya, proteger e garantir a segurança do povo líbio é “uma prioridade máxima nesta etapa crítica”.
O responsável rejeitou qualquer forma de intervenção estrangeira nos assuntos líbios e reafirmou o seu compromisso em manter a “unidade nacional do povo líbio, a sua soberania e integridade territorial”.
Sobre a situação nos países do Golfo Pérsico, em especial no Omã e Bahrein, onde as manifestações contra o regime se têm vindo a intensificar, o chefe da diplomacia dos Emirados Árabes assegurou que as circunstâncias obrigam todos a “apoiar a cooperação e a tentar conseguir progressos tangíveis que possam servir os interesses dos cidadãos”.
“Confiamos na capacidade do sultão Qabus bin Said [chede de Estado do Omã] para tratar estes assuntos com toda a sabedoria e eficácia e estamos conscientes de que o destino dos nossos países e povos é comum”, afirmou.
O chefe da diplomacia dos Emirados Árabes também destacou os esforços “sábios” do chefe de Estado do Bahrein, o xeque Hamad bin Isa al Jalifa, para acalmar as manifestações no seu país, já que colocou o “interesse do Bahrein e do seu povo acima de tudo”.




