Autoridades japonesas estimam mais de 10 mil mortos após sismo e tsunami
Mais de 10 mil pessoas poderão ter morrido em consequência do sismo e do tsunami de sexta-feira na prefeitura costeira de Miyagi, anunciou hoje o chefe da polícia local.
Segundo Naoto Takeuchi, chefe da polícia local, não há “nenhuma dúvida” que o número de vítimas mortais vai ultrapassar os 10 mil.
No sábado, a televisão pública japonesa NHK noticiou que 10 mil dos 17 mil habitantes da cidade portuária de Minamisanriku estavam dados como desaparecidos nesta prefeitura.
A referida prefeitura japonesa é a que fica mais próximo do epicentro do sismo, localizado no Pacífico, a cerca de 100 quilómetros de Miyagi e a uma profundidade de 24,4 quilómetros.
Governo garante estabilização da situação na central nuclear
O ministério japonês dos Negócios Estrangeiros reuniu-se hoje em Tóquio com os diplomatas acreditados no Japão e garantiu que a situação na central nuclear de Fukushima está estabilizada.
Em declarações à agência Lusa em Tóquio, o embaixador português, José de Freitas Ferraz, explicou que o Governo japonês quis dar a conhecer aos diplomatas a avaliação do que aconteceu na central de Fukushima.
Os responsáveis do ministério salientaram que o Japão conseguiu neutralizar uma situação que era complicada devido aos estragos provocados pelo tsunami no complexo.
O reator número 3 da central ficou inutilizado e outros dois reatores não registaram problemas tão graves, mas o Governo japonês garantiu que o núcleo do reator continuava protegido, designadamente por uma cápsula de segurança, que está feita para poder aguentar o embate de um avião, disse José de Freitas Ferraz.
Na reunião, o Governo japonês informou também que a temperatura no reator estava a baixar e os níveis de radiação no local também estão a diminuir.
Para o embaixador, a reunião permite concluir que a situação atual é tranquilizadora e que o Governo está empenhado em tranquilizar a comunidade internacional porque os dados de que dispõe mostram que a situação está controlada.
“Estes reatores são de uma geração muito mais avançada do que os de Chernobyl, com uma série de sistemas de proteção“, concluiu.
Horas antes, o governo tinha, porém, alertado para um novo risco de explosão na central nuclear de Fukushima N 1 devido à acumulação de hidrogénio no reator 3.
“Não se pode excluir que ocorra uma explosão a nível do reator 3 em consequência de uma possível acumulação de hidrogénio“, disse o porta-voz do governo, Yukio Edano.
Edano adiantou, no entanto, que em caso de explosão “não haverá problema para o reator“.
A propósito, referiu-se à explosão registada no sábado no reator 1 da mesma central nuclear, situada na região nordeste, a 250 quilómetros da capital, Tóquio.
“É possível que esta explosão se tenha devido a uma acumulação de hidrogénio na parte superior do edifício onde se encontra o reator“, disse Edano.
Impactos na economia
A desativação de vários reatores nucleares na sequência do sismo poderá provocar falta de energia na região, alertou também o Governo, que estima já os impactos desta catástrofe na economia do país.
O ministro da Indústria alertou que o desligamento dos reatores pode levar à falta de energia elétrica e ao corte de programas, pedindo aos utilizadores, em especial às empresas, que reduzam o seu consumo para poupar recursos.
Os dez reatores das centrais de Fukushima 1 e Fukushima 2, situados na zona devastada pelo terramoto, estão paralisados e não poderão voltar a funcionar tão depressa.
Entretanto um porta-voz do Governo japonês já alertou para o impacto “considerável” que o sismo irá ter na economia do país, sublinhando que as actividades económicas de diversos sectores serão afetadas.
Alerta de tsunami levantado
A Agência Meteorológica japonesa levantou, entretanto, os alertas de tsunami, dois dias depois do sismo, enquanto nas últimas 11 horas foram registados 14 novas réplicas, três de magnitude superior a 6 na escala de Richter.
Desde que foi registado o forte sismo às 14:46 locais de sexta-feira (5:46 em Lisboa) no nordeste do Japão, foram registadas cerca de 190 réplicas que foram sentidas em grande parte do território japonês, incluindo na capital, Tóquio.
A réplica de maior magnitude registada hoje no Japão alcançou 6,4 na escala de Richter e ocorreu às 10h26 locais (1h26 em Lisboa) na província de Ibaraki, com epicentro a dez quilómetros de profundidade.
Duas horas antes, às 8h25 locais de domingo (23h25 de sábado em Lisboa), foi registada outra réplica de 6,2 em Miyagi, uma das províncias mais atingidas pelo forte sismo de 8,9 de sexta-feira, que gerou um devastador tsunami e provocou pelo menos 1800 mortos ou desaparecidos.
O forte sismo de sexta-feira deu origem a um tsunami que atingiu a costa japonesa com uma onda de cerca de 10 metros de altura.




