O PS tem que se entender com os outros partidos, diz Ana Gomes

A eurodeputada socialista Ana Gomes defendeu hoje que o “PS tem que fazer tudo o que estiver ao seu alcance para se entender com os outros partidos” sobre a ajuda externa, defendendo que todos devem ser chamados às negociações.

À entrada para o XVII congresso nacional do PS, a eurodeputada socialista afirmou que “é um sinal de que a Europa não está a funcionar” o facto de Portugal ter sido obrigado a pedir a ajuda externa, que relembra que é um empréstimo.

“Dadas as circunstâncias dramáticas em que a ajuda tem que ser pedida depois da crise precipitada pelo PSD e pelos partidos da oposição, sem dúvida que as condições de negociação são muito mais duras. A base é o PEC 4 chumbado pela oposição”, recordou.

Para Ana Gomes é necessário o “entendimento entre as principais forças políticas”, acrescentando que “todos os partidos políticos com assento parlamentar deviam ser chamados, com toda a transparência às negociações com a equipa do Fundo de Estabilização Financeira Europeu”.

“É do seu interesse levá-los, pela mão, a negociar com Bruxelas porque eles têm de ser corresponsabilizados porque sem isso não há ajuda, não há pacote nenhum e também não há entendimento nenhum para tirarmos o país da situação dramática em que está”, realçou.

Questionada sobre se o pacto de ajuda pode significar corte nos salários e no 13º mês, a eurodeputada foi perentória: “com certeza”.

“E o PS, o secretário-geral do PS avisou, o primeiro-ministro avisou, eu própria avisei e chamei a atenção para o que se passou na Grécia e na Irlanda”, relembrou.

Para Ana Gomes, “todos devem assumir as suas responsabilidades, sendo certo que sem o entendimento daqueles que podem ser esteios de um Governo — PS e PSD — não haverá pacote nenhum de ajuda”.

Sobre o congresso, a eurodeputada antecipou que será de “unidade”, esperando que “seja também um congresso de reflexão porque o país está numa fase absolutamente crítica”.

“É preciso essa reflexão PS para que o PS ganhe forças, não só para o combate eleitoral mas também para o período de governação do país, extremamente dura, difícil, em que é preciso pedir sacrifícios aos portugueses e em que é preciso falar com os outros partidos para encontrarem uma base de sustentação para que o país possa cumprir os compromissos”, enfatizou.

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