Sócrates tentou que pedido de ajuda fosse feito por um Governo saído das eleições

O primeiro-ministro afirmou hoje que, após a abertura da crise política, procurou adiar ao máximo o pedido de ajuda externa para que este programa fosse negociado já por um Governo legitimado resultante das eleições.

A posição de José Sócrates foi assumida em entrevista à TVI, feita à partir da residência oficial de São Bento, na qual também negou divergências com o seu ministro de Estado e das Finanças, considerando mesmo que contará com o “amigo” Teixeira dos Santos “para toda a vida”.

Interrogado pela jornalista Judite de Sousa sobre os motivos por que adiou o pedido de ajuda externa já após a rejeição do Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) na Assembleia da República e a consequente abertura de crise política, José Sócrates respondeu que sempre achou que, “se fosse possível financiar, quer o Estado, quer as nossas instituições bancárias, até haver eleições, teria sido preferível pedir ajuda depois das eleições”.

“Dessa forma tudo o que se está a passar agora ocorreria com um Governo legitimado e não com um Governo de gestão. Durante um ano e meio fiz tudo para que isso não acontecesse e dei o meu melhor para que isso não acontecesse”, declarou.

Em dois períodos distintos da entrevista, José Sócrates foi questionado sobre as suas relações com o ministro de Estado e das Finanças.

Sócrates começou por negar que tenha havido qualquer divergência com o ministro de Estado e das Finanças em relação ao “timing” para o pedido de ajuda externa.

De acordo com a versão do líder do executivo, no dia em que Teixeira dos Santos defendeu em entrevista ao “Jornal de Negócios” a necessidade de pedir ajuda externa já antes o ministro dos Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão, tinha aberto essa porta e ele próprio tinha previsto o anúncio ao país dessa decisão.

Sócrates também procurou retirar qualquer significado político ao facto de Teixeira dos Santos não fazer parte das listas de deputados do PS, considerando o ministro de Estado e das Finanças como seu amigo e frisando que contará com ele “para toda a vida”.

Classificou ainda como “intriga” a ideia que o ministro das Finanças se encontre subalternizado nas negociações com a “troika” europeu, dizendo que ele lidera a delegação do Governo e que o ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, tem o papel de coordenação no diálogo com o Presidente da República e com as diferentes forças partidárias.

Em relação ao resultado das negociações com o Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu, o primeiro-ministro referiu-se à condição de o atual Governo estar em gestão, razão pela qual disse que o programa de ajustamento terá de merecer o acordo dos partidos do arco governativo.

Já em relação ao papel do Presidente da República no decurso das negociações, o líder do executivo disse gostaria que Cavaco Silva “fosse colocado acima de tudo isto”.

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