Perto de 237 mil alunos fazem exames de Língua Portuguesa e Matemática em dia de greve
Mais de 235 mil alunos do 4º e 6º anos deverão realizar este ano as provas de aferição de Língua Portuguesa e Matemática, destinadas a conhecer os níveis de desempenho dos estudantes.
De acordo com o calendário definido pelo Ministério da Educação (ME), na sexta-feira às 10:00 realiza-se a prova de Língua Portuguesa, enquanto a de Matemática está prevista para a próxima quarta-feira (11 de maio), à mesma hora.
No ano passado, cerca de 237 mil alunos realizaram estas duas provas e o Ministério de Educação estima que este ano o número de estudantes seja equivalente.
Durante 90 minutos, os alunos do 1º ciclo têm de responder às perguntas que estão organizadas em “dois cadernos”, de 45 minutos cada um. Entre as duas fichas, os estudantes têm um intervalo de 25 minutos.
As provas do 2º ciclo têm a duração de 100 minutos, repartidos por dois períodos, um de 60 e outro de 40 minutos, separados por uma pausa de 20.
No ano passado, a Confederação Nacional das Associações de Pais alertou para alguns problemas registados em estabelecimentos que impediram a entrada na escola dos alunos que não iam fazer as provas, para não perturbar os colegas.
Greve vs provas de aferição
Este ano, a marcação da greve geral da função pública para o mesmo dia em que se realiza a prova de Língua Portuguesa poderá trazer alguns problemas nas escolas. A Federação Nacional dos Trabalhadores da Função Pública acusou hoje o Ministério da Educação de estar a pressionar os trabalhadores das escolas a não fazer greve, sob pena de terem “falta injustificada”.
A ministra da Educação, Isabel Alçada, já assegurou ser “absolutamente falso” o ministério estar a exercer pressão sobre os trabalhadores das escolas para não aderirem à greve, afirmando: “Da nossa parte, não há qualquer pressão, nós respeitamos os direitos das pessoas, sabemos que as pessoas são livres de fazerem aquilo que bem entenderem”.
As provas de aferição realizaram-se pela primeira vez em 1999 e começaram por ser universais, apesar das classificações nunca terem contado para a nota final. Em 2002, passaram a ser feitas apenas por uma amostra representativa de alunos, mas foi por pouco tempo: em 2007, o ministério decidiu que voltavam a ser aplicados a todos os estudantes do 4º e 6º ano de escolaridade.
Apesar de não contarem para avaliação, as notas das provas são afixadas em pauta e permitem recolher “dados relevantes sobre os níveis de desempenho dos alunos, no que respeita às aprendizagens adquiridas e às competências desenvolvidas”, explica o Gabinete de Avaliação Educacional (GAVE).
Depois de classificadas, as provas são devolvidas às escolas para publicação das respetivas pautas e é posteriormente facultada aos estabelecimentos de ensino a informação sobre o resultado do desempenho dos alunos a nível nacional e de escola.
As provas constituem também “um instrumento de diagnóstico posto à disposição das escolas e dos professores”, útil para a “tomada de decisões”, lê-se em um dos documentos disponibilizados no site do GAVE.
“Os resultados das provas de aferição são, naturalmente, relevantes para as escolas e para os professores, para efeitos de suporte à tomada de decisões, nomeadamente em matéria de planificação e orientação das práticas pedagógicas e também de definição de prioridades na formação contínua dos docentes”, acrescenta o GAVE.




