PR faz amanhã comunicação ao País sobre auxílio financeiro a Portugal
O Presidente da República, Cavaco Silva, vai fazer uma comunicação ao País sexta-feira ao final do dia, no Palácio de Belém, disse à Lusa fonte oficial de Belém.
Questionada sobre o teor desta comunicação, a mesma fonte precisou que será sobre o auxílio financeiro a Portugal.
Portugal vai receber um empréstimo de 78 mil milhões de euros nos próximos três anos ao abrigo de um acordo de ajuda financeira com o Fundo Monetário Internacional, o Banco Central Europeu e a Comissão Europeia, cujos detalhes foram hoje anunciados publicamente, ficando obrigado a aprovar um conjunto de medidas para reduzir os gastos do Estado que abrangem diversos setores.
A última vez que Cavaco Silva se pronunciou sobre esta matéria foi na cerimónia do 25 de Abril, quando defendeu a necessidade de, mesmo antes das eleições, Governo e oposição fazerem um “esforço de concertação” para garantir a obtenção da ajuda externa internacional.
“Ainda antes das eleições, impõe-se um esforço de concertação entre o Governo e os partidos políticos relativamente às condições para a obtenção da assistência financeira externa indispensável à salvaguarda do interesse nacional e a assegurar as necessidades de financiamento do Estado e da nossa economia”, disse, naquele que foi o seu primeiro grande discurso após a formalização do pedido de ajuda externa.
Cerca de duas semanas antes, em Budapeste, num encontro do grupo de Arraiolos, o Presidente da República tinha já considerado inevitável o recurso à ajuda externa, numa ocasião em que pediu às instituições europeias “alguma imaginação” que permitisse alguma margem de manobra ao Governo que sair das eleições legislativas antecipadas de 5 de junho.
Antes, a 31 de março, no dia em que anunciou a dissolução do Parlamento e a marcação de eleições, Cavaco Silva fez questão de garantir publicamente que o atual executivo de José Sócrates contará com todo o seu apoio para que não deixem de ser adotadas as medidas indispensáveis “a salvaguardar o superior interesse nacional e assegurar os meios de financiamento necessários ao funcionamento da economia”, apelando também a uma “atitude de cooperação responsável” por parte dos partidos da oposição.
Nessa altura, o Presidente deixou ainda um alerta: “Nunca iludi os portugueses nem lhes escondi a verdade. Hoje, reafirmo o que tenho dito: vivemos em dificuldades e nos próximos anos iremos continuar a viver numa situação muito difícil”, reconheceu, sublinhando que é nestes momentos que se “vê o sentido de responsabilidade de cada um”.




