A entrada de Passos Coelho no “campeonato das feiras”

Nunca o hostiliza e diz que é o seu “aliado natural”, mas Passos Coelho arrisca-se nesta campanha a entrar em competição com o líder do CDS-PP no ‘campeonato das feiras’.

Só no dia do arranque oficial da campanha para as legislativas, Passos  Coelho tem na agenda visitas a quatro feiras e mercados, terreno natural  daquele que desde há alguns anos é conhecido como “o Paulinho das feiras”,  mas onde o PSD não costuma apostar tanto.

Contudo, nesta campanha, a primeira ação do período oficial de campanha  foi precisamente no chamado “mercado da fruta” das Caldas da Rainha, uma  localidade que, segundo Passos Coelho, “tem simbolicamente uma posição importante”  na sua conquista da liderança do PSD.

À sua espera tinha, como o presidente da Câmara das Caldas da Rainha  confidenciou ao líder do PSD logo que este chegou, “uma enchente maior que  a do Cavaco”.

“Nunca vi tanta gente na praça, nem com Cavaco Silva, nem com Mário  Soares”, repetiu mais tarde num ‘mini-comício’ improvisado em cima de uma  carrinha de caixa aberta.

Das Caldas, a caravana andou depois mais alguns quilómetros até ao  mercado de Santana, onde voltou a distribuir beijos, abraços, autógrafos,  com particular ‘êxito’ entre as apoiantes femininas, com algumas a aproveitar  para lhe ajeitar a gola do ‘blaser’, às vezes um pouco “à banda” devido  aos encontrões e apertões.

Entre bancas de flores, frutas e legumes, roulottes de sandes e coratos  e até restaurantes improvisados onde além de frango, também se vende coelho  assado, o líder do PSD tenta falar, como ele próprio diz, “com o povo todo,  o que gosta e o que não gosta”.

Por isso, arrisca-se, como hoje no mercado de Santana a encontrar simpatizantes  do PSD que nestas eleições não vão sequer votar.  “Acha bonito o que fez”, perguntou uma vendedora do mercado de Santana  a Passos Coelho, confessando-se depois desiludida pela recusa do PSD em  fazer Governo com o PS, argumentando que os tempos devem ser de “união”. Mas, mesmo a quem abertamente confessa não votar em si, Passos Coelho  não vira as costas e contra-argumenta, demorando-se a explicar as suas ideias.

Mostrando-se à vontade no contacto com as pessoas, nem mesmo quando  foi esta manhã confundido com Paulo Portas fez qualquer expressão de desagrado.

Aliás, conforme tem feito questão de sublinhar o adversário do PSD  é o PS e o “Governo incompetente e incapaz” de José Sócrates. Isso não tem, contudo, impedido algumas vozes sociais-democratas de  dirigir palavras menos simpáticas para o líder do CDS-PP, como aconteceu  esta manhã, quando o presidente da Câmara das Caldas da Rainha manifestou  a sua “indignação” por Paulo Portas ter usado as palavras “caciques” e “clientelas”  a propósito dos autarcas do PSD.

Depois da manhã passada entre feiras, Passos Coelho teve a seu lado  ao almoço o antigo líder do PSD Luís Filipe Menezes, de quem ouviu palavras  elogiosas à sua atitude de “naturalidade de um homem popular, que diz a  verdade, que anda vestido como todos nós, que vive onde todos nós vivemos”,  em oposição “à artificialidade, ao teleponto e às camisas engomadas” de  José Sócrates.

A tarde do primeiro dia de campanha da caravana socialista segue com  passagem por mais duas feiras: a Feira de Maio, em Leiria, e do Queijo Rabaçal,  em Pombal.

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