Obama rejeita ideia de declínio ocidental

O Presidente dos Estados Unidos assegurou hoje que a influência norte-americana e europeia predomina no mundo apesar de ter reconhecido o crescimento e afirmação no cenário global de potências como a China, Índia ou Brasil. Barack Obama disse também que a paz no Médio Oriente implicará “dolorosos compromissos” mútuos. O Presidente norte-americano e o primeiro-ministro britânico, David Cameron, anunciaram ainda apoio político e económico às revoltas árabes.

Num discurso perante as duas câmaras do Parlamento de Londres e ao evocar os países emergentes “como a China, Índia e Brasil”, Obama sublinhou que “se tornou numa moda perguntar se o estatuto de potência para estes países implicará um declínio da influência americana e europeia no mundo”.

O líder da Casa Branca rejeitou esta abordagem, e numa intervenção —  a terceira de um Presidente dos EUA perante o Parlamento do Reino Unido  — sobretudo dedicada às relações transatlânticas sublinhou que “este é  o tempo para a nossa liderança”.

O discurso, entendido como uma forma de tranquilizar os aliados europeus, foi proferido logo após uma reunião bilateral com o primeiro-ministro britânico, David Cameron, dominada pela situação no Afeganistão e Líbia.

“Quanto mais nações assumirem responsabilidades pela liderança global, mais a nossa aliança permanecerá indispensável para concretizar o objetivo de um século mas pacífico, próspero e justo”, disse Obama, antes de recordar “uma década difícil que se iniciou com uma guerra e terminou com uma recessão, e quando uma vez mais as nossas nações atingem um momento crucial”.

No Salão de Westminster, onde foi calorosamente recebido, o líder norte-americano evocou ainda a história entre os dois países aliados, separados por um oceano e envolvidos num conflito fratricida no século XVIII, mas que hoje “se tornaram  numa força global indispensável” para o crescimento económico, segurança,  democracia e paz.

“O caminho nem sempre foi perfeito”, reconheceu. “Mas através da lutas dos escravos e imigrantes, das mulheres e das minorias étnicas, das antigas  colónias e das religiões perseguidas, aprendemos melhor que ninguém que  o desejo de liberdade e dignidade humana não é americano, nem inglês, nem ocidental, é universal”, disse ainda Obama.

“Dolorosos compromissos” e o Médio Oriente

Barack Obama considerou que um acordo no Médio Oriente vai implicar “dolorosos compromissos” a israelitas e palestinianos, mas apenas será garantido caso as duas partes retomem o diálogo.

No decurso de uma conferência de imprensa conjunta com o primeiro-ministro britânico, David Cameron, que assinalou o final da visita oficial ao Reino Unido, o líder da Casa Branca disse ter proposto recentemente às duas partes o reinício do processo negocial, que se deverá concentrar na definição das  fronteiras de um futuro Estado palestiniano e na segurança de Israel. Obama defendeu que só após a resolução destas matérias devem ser abordadas as  “questões emocionais”, como o destino dos refugiados palestinianos e Jerusalém.

O líder da Casa Branca considerou que a paz poderá surgir no horizonte caso estes diferendos sejam resolvidos.

No entanto, definiu como “um erro” o eventual pedido dos palestinianos ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e destinado ao reconhecimento do seu Estado com as fronteiras de 1967.

Apoio às revoltas árabes

Os Estados Unidos e o Reino Unido vão lançar  um “programa de apoio” político e económico às revoltas árabes, conforme anunciaram hoje o Presidente norte-americano e o primeiro-ministro britânico, na conferência de imprensa conjunta.

Sobre a Líbia, onde forças ocidentais estão a apoiar militarmente os rebeldes que pegaram em armas contra o regime de Muammar Kadhafi, David Cameron afirmou que ele e Obama estão de acordo quanto à necessidade de aumentar a pressão sobre o regime.

Kadhafi “tem de partir”, disse o primeiro-ministro britânico.

“Não vai haver nenhum abrandamento da pressão que estamos a exercer”, disse Obama, acrescentando que tanto ele como Cameron concordam em não enviar tropas para a Líbia.

O Presidente norte-americano reconheceu o impacto reduzido que a campanha militar está a ter na situação no terreno, mas recusou fixar um prazo para o fim dos bombardeamentos.

“Temos sido extraordinariamente bem sucedidos a evitar vítimas civis. Isso significa que por vezes temos de ser mais pacientes do que as pessoas  gostariam”, disse Obama.

“Concordo que as duas ideias chave a este respeito são paciência e persistência. Estamos firmemente de acordo quanto aos resultados que queremos obter”, disse Cameron.

Para Cameron e Obama, a campanha militar terminará quando Kadhafi cessar os ataques contra civis e abandonar o poder.

Obama referiu-se também à situação no Iémen, para apelar ao presidente Ali Abdallah Saleh para que ceda o poder “imediatamente”.

“Apelamos ao presidente Saleh para que honre imediatamente o seu compromisso para transferir o poder”, disse Obama.

O primeiro-ministro britânico afirmou ainda o apoio do Reino Unido à cooperação dos países ocidentais com o Paquistão em matéria de terrorismo.

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