Abelhas, cola e cadeados impedem abertura das mesas de voto em Castro Daire, Tondela e Alijó
Foram colocadas abelhas na sala de voto na freguesia do Cabril, Castro de Aire, que não chegou a abrir, numa iniciativa de protesto da população local que reclama obras na Estrada Nacional 225. Em Lajeosa do Dão, concelho de Tondela, a mesa de voto não abriu depois de a fechadura da entrada ter sido selada com cola. Já em Castedo, Alijó, a votação deve ter início com duas horas de atraso, depois de a porta da Junta de Freguesia ter sido fechada a cadeado em protesto contra o fim da escola e da extensão de saúde.
Segundo Marco Rodrigues, presidente da Junta local (PSD/CDS), as urnas não abriram às 08h00 como estava previsto e alguns dos elementos que compõem a mesa de voto desistiram, com receio de represálias da população.
“Isto estava com um cadeado, já demos conhecimento à Câmara e ao Governo Civil, mas estamos a tratar disso e a mesa vai abrir. Falta só a constituição (dos elementos) da mesa“, explicou Marco Rodrigues, que se mostra solidário com a população.
“A tentativa de boicote diz respeito ao fecho da extensão de saúde na freguesia e ao fim da escola primária”, explicou o autarca, salientando que, na estrada, são visíveis palavras de ordem escritas pela população.
“As pessoas têm razão porque parece que querem acabar com a freguesia”, afirmou o autarca, que lamenta em particular o fim da “escola primária no final deste ano letivo“.
Esta decisão teve o apoio de um executivo anterior da Junta de Freguesia que “votou a favor da carta educativa” do concelho, onde estava previsto o fecho do estabelecimento, explicou.
Por isso, embora prometa “fazer tudo” para que o escrutínio “decorra como previsto”, Marco Rodrigues diz que não vai votar, em solidariedade para com a população.
“A abstenção é forma mais indicada para reivindicarmos os nossos direitos no dia de hoje“, afirmou.
Abelhas em Cabril
Junto ao edifício da sala de voto de Cabril estão cartazes onde se pode ler “EN225” e “não ao voto” e a entrada para a mesa de voto está tapada com partes de um palco, tendo sido colocadas abelhas dentro da sala da votação.
As populações das freguesias de Cabril e Parada de Ester, concelho de Castro Daire, ameaçaram boicotar o sufrágio, seguindo um apelo da Comissão de Utentes da Estrada Nacional 225, em protesto pelo mau estado do troço da EN225.
“Esta foi a forma encontrada para demonstrar o nosso desagrado pelo mau estado em que se encontra a EN 225“, explicou então o porta-voz da comissão, Fernando Silva.
A mesa de voto em Parada de Ester terão aberto normalmente, segundo as duas dezenas de eleitores do Cabril que hoje se concentraram junto à mesa de voto desta freguesia.
A Comissão de Utentes da Estrada Nacional 225 pretende que sejam feitas obras de beneficiação em 70 quilómetros desta via, entre Castelo de Paiva e Castro Daire.
Além do mau estado do piso, Fernando Silva afirma que a estrada em causa foi concebida há cerca de 50 anos, tendo sido traçada com muitos erros que devem ser corrigidos.
Cola em Lajeosa
A assembleia de voto de Lajeosa do Dão, concelho de Tondela, não abriu como previsto as 8:00 horas depois de a fechadura da entrada da mesa de voto ter sido selada com cola.
A porta da escola primária de Lajeosa do Dão, foi selada com “super-cola” na fechadura, em protesto contra a falta de médicos na freguesia.
À porta da escola estão cerca de cinco centenas de pessoas e segundo o líder do movimento de protesto, Celso Videira, “se tudo correr bem, não haverá votação”.
O boicote às eleições legislativas prende-se com a falta de médicos na extensão de saúde local, onde, dos 2.500 utentes, apenas 500 têm acesso a clínicos.
O presidente da junta de freguesia de Lajeosa do Dão, António Pereira, que não está ligado ao protesto, disse à agência Lusa que o governo civil e a GNR local “já foram informados da situação”.
António Pereira explicou também que os elementos da mesa de voto vão estar no local até às 11:00 horas, mas que, caso a situação não se resolva, serão acionados os mecanismos legais para que o ato eleitoral seja repetido daqui a uma semana.
Nos últimos dias, foram colocadas cartas nas caixas de correio de cada habitante da freguesia a apelar para não votarem.




