Moscovo considera energia atómica segura e recomenda o seu desenvolvimento

As autoridades russas transmitem à opinião pública a ideia de que a energia atómica é segura, apesar das vozes discordantes no país a esse propósito.

Nikolai Kutin, dirigente do Serviço Federal de Vigilância Ecológica,  Tecnológica e Nuclear da Rússia, considera que a quantidade de inspeções  nas centrais nucleares russas não pode ser maior porque já são feitas dia  e noite.

“Em cada central nuclear há secções especiais de inspeção, o controlo  é feito permanentemente, a sua quantidade não pode ser aumentada, porque,  na prática, é feita dia e noite”, disse Kutin, ao informar os deputados  do Parlamento russo sobre a segurança nuclear no país.

“Todas as centrais correspondem não só ao seu projeto, mas também ao  nível de segurança crescente, imposto pela construção de centrais nucleares  no século XXI”, acrescentou.

Kutin diz ter sido autorizado a prolongar o funcionamento de vários  reatores nucleares que foram construídos há 30 ou 40 anos, mas frisou: “Em  todos eles foi realizada a modernização completa dos sistemas de segurança,  e foram realizadas inspeções das zonas ativas e de todos os aparelhos”.

Quanto ao problema dos resíduos nucleares, um dos mais agudos na exploração  da energia atómica, os dirigentes russos dizem ter solução para o problema  não só na Rússia, mas também noutros países.

“A descoberta de soluções científicas aceitáveis, a criação de tecnologias  permitem às empresas russas não só resolver os problemas de segurança na  Rússia mas também exportar tecnologias”, considerou Serguei Kirienko, dirigente  da Agência Atómica da Rússia.

“Jamais iremos importar resíduos nucleares, mas exportar tecnologias  de encerramento de centrais nucleares”, acrescentou.

Segundo o programa aprovado, até 2030, a Rússia tenciona transformar  30 por cento dos seus resíduos nucleares e encerrar 95 por cento dos lugares  de conservação desses resíduos.

“Depois da avaria em Fukushima  1/8Japão 3/8, em todo o mundo procura-se fontes  alternativas de energia, na rica Alemanha foi mesmo decidido encerrar todas  as centrais nucleares, mas, na Rússia, aumenta a construção de centrais  e até se planeia construir centrais flutuantes. Mas para quê atirar bombas  atómicas para o Oceano tempestuoso”, interroga-se Anatoli Grechnevnikov,  deputado do Partido Rússia Justa.

“Hoje, na Rússia, funcionam 32 reatores em centrais nucleares. Dentro  de um ano, 19 esgotarão o prazo de funcionamento. Porque é que se autoriza  o prolongamento desse prazo? Não se deve permitir que as Fukushimas russas  continuem a funcionar em vez de serem encerradas ou modernizadas”, concluiu.

Os ministros da Energia dos países do G20 estarão  reunidos na terça e na quarta-feira na sede da OCDE, em Paris, para discutirem  segurança nuclear, em resposta à crise na central japonesa de Fukushima.

A reunião dos ministros do G20 (as 19 principais economias do mundo  e a União Europeia) ocorre numa altura em que há grandes divergências na  Europa sobre a política para o nuclear.

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