Marinho Pinto diz que futuros magistrados que utilizaram “métodos fraudulentos” deviam ser “excluídos” da profissão

O bastonário da Ordem dos Advogados (OA), Marinho  Pinto, defendeu hoje que os formandos do Centro de Estudos Judiciários (CEJ)  que utilizaram “métodos fraudulentos” para ficarem aprovados no curso para  magistrados deviam ser “excluídos” da profissão.

Em declarações à Agência Lusa sobre o caso do copianço generalizado  num teste do curso de auditores de Justiça do CEJ, António Marinho Pinto  salientou que as pessoas que “utilizam métodos fraudulentos para acederem  à magistratura não serão seguramente magistrados honestos”.

“Isto é, de facto, um dos pontos mais graves da nossa Justiça”, disse  o bastonário dos advogados, observando que a estes formandos apanhados a  copiar “falece-lhes a legitimidade moral para poderem ser magistrados” e  julgarem e condenarem outros cidadãos.

Quanto à medida da direção do CEJ de anular o teste, mas atribuir nota  positiva (10 valores) a todos os futuros magistrados do curso, Marinho Pinto  considerou que se tratou mais de “uma decisão para salvar a face do que  para castigar os elementos prevaricadores”.

“Quando se começa a prevaricar nos primeiros passos da carreira, imagine-se  o que eles farão qundo foram magistrados”, com os poderes inerentes à profissão,  comentou o bastonário, notando que quando estes auditores de Justiça começam  “logo com fraudes” é “de esperar e temer o pior” no futuro.  Marinho Pinto lembrou que estas “fraudes” no curso para magistrados  não são inéditas, pois em 2008 houve também a anulação de uma prova porque  se descobriu que o filho de um magistrado que frenquentava o CEJ teve conhecimento  antecipado das perguntas do teste.

Tudo somado, o bastonário da OA conclui que isto revela que “as grandes  reformas da Justiça em Portugal tem de começar pelo recrutamento de magistrados”.

Um copianço generalizado num teste do curso de auditores do CEJ levou  à anulação do teste, mas a direção decidiu atribuir nota positiva (10) a  todos os futuros magistrados.

Num despacho datado de 01 de junho e assinado pela diretora do CEJ,  a desembargadora Ana Luísa Geraldes, a que a agência Lusa teve acesso, é  referido que na correção do teste de Investigação Criminal e Gestão do Inquérito  (ICGI) “verificou-se a existência de respostas coincidentes em vários grupos”  de alunos da mesma sala.

O documento indica que, em alguns grupos, “a esmagadora maioria dos  testes” tinha “muitas respostas parecidas ou mesmo iguais”, constatando-se  que todos os alunos erraram em certas questões.

No despacho é dito que as perguntas erradas nem eram as mais difíceis  do teste, tendo-se verificado também o inverso: numa das questões mais difíceis  ninguém falhou.  Realça ainda que há pessoas sentadas umas ao lado das outras que têm  “testes exatamente iguais, repetindo entre elas os erros que fizeram”.

Perante o copianço da turma, a direção do CEJ decidiu, em reunião, “anular  o teste em causa, atribuindo a todos a classificação final de 10 valores”  naquela cadeira da área criminal.

A principal missão do CEJ é a formação de magistrados, competindo-lhe  assegurar a formação inicial e contínua de magistrados judiciais e do Ministério  Público para os tribunais judiciais e para os tribunais administrativos  e fiscais.

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