Passos Coelho deverá apresentar hoje a Cavaco Silva a lista do novo governo

Depois de ter assinado ontem dois acordos politicos com o CDS, o primeiro-ministro indigitado vai hoje a Belém e estará em condições de avançar a lista de ministros do novo executivo, estabelecida depois de várias reuniões na ultima semana.

A posse do novo governo deverá acontecer no inicio da proxima semana, numa contagem decrescente para o conselho europeu de dia 23 em Bruxelas.

O Governo terá entretanto, até ao final de agosto, de “realizar  e publicar um levantamento completo dos pagamentos em atraso” do Estado  aos fornecedores, que somam cerca de 2.300 milhões de euros só na área da  Saúde e da Construção.

De acordo com o acordo de resgate financeiro, o novo Executivo terá  de “realizar e publicar um levantamento completo dos pagamentos em atraso  abrangendo todas as categorias de despesa vencida e vincenda até ao fim  de junho”, não só da Administração Pública tradicional, mas também de todas  as empresas públicas, ou seja, aquelas “que não integram o perímetro de  consolidação”. Depois, no máximo até setembro, terá de estar definido um  “calendário ambicioso e vinculativo para liquidar todos os pagamentos em  atraso”.

Os dados avançados à Lusa pelas associações da indústria farmacêutica  e dos construtores revelam um panorama sombrio, em que os valores em dívida  e os juros definidos por lei não são pagos.

As câmaras são obrigadas a processar juros de mora a uma taxa de 8  por cento ao ano, mas a lei não está a ser aplicada”, garante o presidente  da Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário, que explica que  “numa altura em que há escassez de obra e em que as câmaras recorrem ao  ajuste direto, as construtoras, principalmente as mais pequenas, têm muita  dificuldade em colocar as autarquias nos tribunais, porque depois sofrem  retaliações, portanto os juros devidos por lei não são pagos”.

Joaquim Reis lembra que, no final de 2010, as autarquias demoravam,  em média, mais de 7 meses a pagar uma dívida que ultrapassa os 830 milhões  de euros, a que se juntam os mais de 400 milhões das entidades da Administração  Central do Estado. “Se juntarmos a estas as empresas públicas, o valor é  muito maior”, garante.

As dificuldades dos construtores avolumam-se tendo em consideração que  “o valor das adjudicações  (das obras públicas) em 2010 caiu 40 por cento  para 2,7 mil milhões de euros, um problema que não é exclusivo de Portugal.  De acordo com o jornal espanhol ‘Cinco Días’, as adjudicações do Ministério  do Fomento caíram 77 por cento de janeiro a maio, passando de 3,3 mil milhões  de euros nos primeiros cinco meses de 2010 para 752 milhões este ano.

Na Saúde, o panorama também é negro: os dados de abril apontam para  uma dívida total dos hospitais aos laboratórios de 1058 milhões de euros,  dos quais 724 milhões estão por pagar há mais de três meses. “O prazo médio  de recebimento era de 394 dias”, ou seja, mais de um ano, afirma a Associação  Portuguesa da Indústria Farmacêutica, que apesar de considerar que “estão  reunidas as condições essenciais” para saldar as contas, mantém em curso  outros instrumentos.

A PRESIF  (uma empresa que recolhe os créditos dos associados da Apifarma  para os cobrar em conjunto junto dos hospitais) tem estado a negociar com  vários hospitais planos de pagamento relativos à dívida vencida a 30 de  setembro de 2010“, afirma a associação liderada por João Almeida Lopes à  Lusa.

Também nesta área, o panorama não é exclusivamente nacional. De acordo  com a Bloomberg, os hospitais espanhóis devem 5,2 mil milhões de euros à  indústria farmacêutica local, demorando, em média, 420 dias a saldar as  dívidas.

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