Cavaco alerta para “custos catastróficos” de falhanço nos compromissos internacionais
Traçando um ‘quadro negro’ da situação dos últimos anos, com um crescimento económico débil, um aumento excessivo do peso do Estado, um desequilíbrio acentuado das contas públicas e os “sinais de forte recessão” dos últimos meses, Cavaco Silva diagnosticou “uma situação de emergência, caracterizada por enormes dificuldades económicas, financeiras e sociais”.
Nesta situação, recordou, o recurso à ajuda externa tornou-se “inevitável”, estando agora o país obrigado a cumprir um exigente programa de austeridade e de reforma. Mas, avisou, o cumprimento desse mesmo programa, que tem custos e exige “muitos sacrifícios” é também “uma solução que se tornou inevitável”. “O Governo que inicia funções tem responsabilidades acrescidas, uma vez que os sacrifícios pedidos são enormes, as expectativas geradas são extremamente elevadas e as exigências impostas não têm paralelo na nossa História recente. Não podemos falhar, sob pena de a situação se tornar economicamente irreversível e socialmente insustentável”, sustentou.
Contudo, notou também o Presidente da República, para enfrentar a atual situação do país, o novo Governo dispõe “da força de um resultado eleitoral inequívoco, de uma maioria no Parlamento e da cooperação do Presidente da República”. “Não há motivos para deixar de fazer o que deve ser feito, a começar pelo cumprimento dos compromissos que assumimos perante as instituições internacionais. Os custos de um falhanço seriam absolutamente catastróficos e durariam por muitos e muitos anos, hipotecando drasticamente o futuro das gerações mais jovens”, reforçou.
Se Portugal falhar, acrescentou, ficará sujeito a restrições de financiamento ainda mais graves do que as atuais, uma situação que teria “consequências dramáticas” para o funcionamento do sistema económico e financeiro e limitaria por vários anos as perspetivas de crescimento do país e de criação de emprego.
Por isso, e perante “um caderno de encargos de grande responsabilidade”, o novo executivo liderado por Pedro Passos Coelho só terá sucesso se agir com “determinação e sentido de urgência”
Contudo, acrescentou ainda o chefe de Estado retomando a ideia de justiça na repartição de sacrifícios, as tarefas deste Governo não se esgotam no mero cumprimento do acordo com as instituições internacionais e uma das suas funções primordiais será “atenuar os elevados custos sociais das medidas que terão de ser tomadas”, sendo igualmente prioritário “uma utilização muito criteriosa dos recursos públicos, com vista a ajudar os cidadãos efetivamente mais carenciados”.
Elencando depois algumas das ‘tarefas’ do novo executivo, como a redução significativa do desequilíbrio externo, a consolidação das finanças públicas, a melhoria do sistema judicial, Cavaco Silva pediu igualmente o contributo de todos os portugueses para poupar mais, trabalhar melhor, recordando que Portugal não pode continuar a viver acima das suas possibilidades, a gastar mais do que aquilo que produz e a endividar-se.
Pedindo aos portugueses para serem especialmente atentos, “numa atitude cívica responsável e exigente”, Cavaco Silva prometeu essa será também a sua conduta, numa postura de “isenção e imparcialidade” perante os partidos, “cooperando lealmente com o Governo”.
“O momento é de muito trabalho, de ação ponderada, de diálogo político e social. O presente exige o melhor de nós, seja do Governo que hoje toma posse, seja do Parlamento renovado, seja de todos os cidadãos. Ninguém está imune à crise. Cada um de nós será chamado a dar o seu contributo para vencermos as adversidades do presente”, declarou, sublinhando que “cada Português tem uma quota de responsabilidade no futuro do seu país” e que “temos todos de começar já hoje a trabalhar em conjunto”.




