Governador do Banco de Portugal defende que Conselho das Finanças Públicas é fundamental

O governador do Banco de Portugal considera muito importante a existência do Conselho das Finanças Públicas. Carlos Costa diz é necessária uma entidade independente que avalie a bondade das políticas do Governo. Os responsáveis pelo conselho estiveram hoje no Parlamento, para explicar aos deputados quanto é que este organismo vai custar.

O governador do Banco de Portugal defendeu  hoje instituições como o Conselho de Finanças Públicas para contrariar excessos  orçamentais em tempos de crescimento, ao invés de regras às quais aponta  limitações.

Carlos Costa, em audição na Comissão parlamentar de Orçamento e Finanças,  defendeu que “é preciso introduzir de alguma forma regras” para contrariar  excessos expansionistas em tempos de crescimento que destruam a “almofada”  nas contas públicas a utilizar em tempos de crise.

O responsável aponta que para contrariar este tipo de comportamento  podem ser criadas regras, com definir limites quanto ao défice e dívida  que podem ser de “forma cega” ou ainda regras que “tornem responsáveis os  políticos pelo cumprimento das regras” orçamentais.

Mas para Carlos Costa, estas regras “limitam o poder inerente aos parlamentos”,  assim como a capacidade de conduzir de forma discricionária a política orçamental,  e diz mesmo que nalguns casos “tendem a aumentar a contabilidade criativa”  ou a “colocar fora do orçamento matérias que deviam estar no orçamento”.

Neste sentido, o governador do Banco de Portugal defende a via institucional,  como é o caso dos Conselhos de Finanças Públicas (matéria que está a ser  apreciada na comissão parlamentar e que justifica a audição de Carlos Costa),  que diz “não faz mais do que tornar transparentes os custos das opções de  política orçamental de forma a transformar os agentes políticos e eleitorado  da discussão” e assim, conhecem todos os custos das políticas.

“Estes conselhos de finanças públicas não decidem nada, nem têm que  decidir nada, a única coisa  [que fazem] é que tornam público e da forma  mais transparente e abundante, para que todos conheçam todos os prós e contras  da política orçamental”, disse.

Carlos Costa defende que a criação deste conselho é mais um passo para  enfrentar o problema de reputação das contas públicas e que deixava todos  os agentes (partidos, eleitorado, Governo e instituições) no mesmo plano.

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