VILA REAL: Especialista defende regras para uso de telefone e Internet

Um especialista defendeu, em Vila Real, a definição de regras claras sobre o uso de telefones e computadores nas escolas para prevenir a ocorrência de ‘cyberbullying’, um ato de violência intencional e repetido.

O diretor do serviço de Pedopsiquiatria do Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro (CHTMAD), Justino Gonçalves, disse que a prevenção deste fenómeno, que usa as tecnologias de informação e comunicação (TIC), passa pelo envolvimento de “todos, como uma medida de saúde pública”.

Este conceito, que nasce a partir do ‘bullying’, é, segundo o médico, uma situação que pode acontecer na escola, no trabalho, em que intencionalmente alguém quer prejudicar ou molestar outra pessoa, quer seja física ou psicologicamente.

Por isso mesmo, considera que é preciso envolver as instituições, professores, pais, estudantes, profissionais de saúde, polícia e a comunidade em geral.

Para Justino Gonçalves, é necessário ainda impor “regras claras sobre o uso de telefone e computadores e sobre as consequências do seu inadequado uso”, ou seja, uma definição “clara de que o ‘cyberbullying’ pode ser sancionado com perda de acesso a computadores, suspensão ou expulsão”.

O responsável defende que pais e filhos devem assinar na escola o regulamento do uso de TIC ou um termo do uso aceitável da Internet e propõe que, por exemplo, o tempo de utilização da Internet deve ser limitado, que se ensine às crianças que nunca devem aceitar encontrar-se com alguém que conheceram on-line ou restringir os acessos.

É preciso também, frisou, mudar o sistema de crenças acerca do ‘bullying’ como sendo algo aceitável.

“É importante alertar que o ‘bullying’ não é normal, que não é normal nós divertirmo-nos à custa do sofrimento alheio”, frisou.

Justino Gonçalves considerou que a utilização dos termos em inglês também devia ter substituído pelas designações portuguesas “maus tratos” ou “agressões”, para chegar a todas as camadas populacionais.

O responsável referiu ainda que o caso “Leandro” de Mirandela serviu para chamar a atenção das pessoas para este problema, embora pelo lado mais “perverso e mórbido”, embora as autoridades não tenham concluído que se tratou de um caso de bullying.

O importante, para o médico, é que nas escolas, centros de saúde ou na comunidade se detetem estas crianças mais vulneráveis e se faça prevenção.

O serviço de Pedopsiquiatria do CHTMAD recebe “os casos mais graves” relacionados com crianças de todo o distrito de Vila Real e concelho do Douro sul, numa média anual de 20 casos.

O ‘cyberbullying’ é um dos temas em debate nas III Jornadas “Ensinar e Aprender com a Tecnologia Educativa”, que decorrem hoje, em Vila Real, num organização da autarquia local.

Share

Comentários fechados

Galeria de Fotos

Cidade de Lamego
Iniciar sessão | 2015 Programado por Rádio Clube de Lamego

Prevenção de Spam por Akismet