Grécia «falha» metas, bolsa afunda 4%

País está numa recessão profunda, mais profunda do que as previsões iniciais. Economia vai contrair cerca de 5%.

Os inspectores da «troika» – que terminaram na quinta-feira a revisão trimestral das contas públicas gregas e vão voltar a Atenas dentro 10 dias – terão descoberto atrasos na execução das medidas pré-estabelecidas na Grécia, bem como uma recessão mais profunda e receitas fiscais aquém do orçamentado.

«O défice deste ano será certamente pelo menos um ponto percentual acima do objectivo. Estamos ainda a calcular e 8,6% é o valor mínimo», adiantou um responsável da «troika», citado pela Reuters.

Fonte oficial da União Europeia disse à Associated Press que os técnicos do FMI interromperam os trabalhos em Atenas por causa de divergências precisamente em torno do défice. Já o ministro das Finanças grego veio assegurar que a pausa na missão da troika já estava programada.

Recessão «muito perto» dos 5%

Evangelos Venizelos insistiu depois na ideia de que o Governo não vai impor quaisquer medidas adicionais para gerar receita, para além daquilo que já tinha sido acordado e votado no Parlamento, no âmbito do empréstimo financeiro que o país recebeu.

O ministro admitiu, no entanto, que o país está numa recessão profunda, mais profunda do que aquilo que tinha sido inicialmente previsto. A estimativa de Venizelos passa agora por uma contracção da economia «muito perto dos 5%» já este ano.

Ora decorre daí o falhanço das metas de redução do défice. Com uma recessão desta dimensão, a capacidade de o país cumprir os objectivos fica inevitavelmente comprometida.

A reavaliação das metas do défice «é automática, devido ao agravamento da recessão», apontou o ministro, em conferência de imprensa.

Os media gregos têm vindo a noticiar que o objectivo do défice deverá passar de 7,4% para 8,8%.

Evangelos Venizelos remeteu para meados de Setembro o anúncio das novas previsões para o défice, depois de novas negociações com os credores privados, com os 17 Estados-membros da Zona Euro e com o FMI.

O ministro insistiu, no entanto, na importância de manter o défice para 2011 no valor absoluto de 16,68 mil milhões de euros.

Bolsa de Atenas afunda, juros da dívida disparam

Em reacção, a bolsa de Atenas chegou a afundar mais de 4%. A banca é o sector mais castigado, já que escorrega cerca de 7%. O nervosismo arrasta-se também aos restantes mercados accionistas na Europa.

Também o mercado secundário, onde são medidos os títulos da dívida pública, não escapa a este quadro negro. Os juros da dívida a dois anos estão a negociar nos 48,659%, já bem perto dos 49%.

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