Doze pessoas terão sido detidas com “brutalidade” num protesto contra o Presidente em Angola

A Polícia angolana deteve hoje com “brutalidade” 12 manifestantes, um dos quais um organizador do protesto que um grupo de jovens angolanos está a realizar em Luanda para exigir a destituição do Presidente José Eduardo dos Santos, disse um dos detidos.

De acordo com um dos responsáveis do protesto, que a Agência Lusa contactou  a partir de Lisboa, a Polícia encetou confrontos com os manifestantes e  mantém os 12 detidos dentro uma carrinha policial há mais de 30 minutos,  estando algumas destas pessoas em dificuldades respiratórias devido ao forte  calor que se faz sentir em Luanda.

“Fomos presos, estamos numa carrinha há mais de trinta minutos e estamos  quase a ficar asfixiados. A Polícia atuou com uma extrema brutalidade, estamos  a ser molestados, até estou sem palavras. Está a existir muita brutalidade”,  disse o manifestante, que falava sob a condição de anonimato.

“Estamos aqui há mais de trinta minutos, alguns até estão quase a desmaiar.  Somos doze e a carrinha não tem sequer um metro. Está um sol muito forte,  estamos a ter dificuldades em respirar”, explicou.

O elemento da organização disse ainda que existem diversos elementos  da Polícia que estão “à civil” na manifestação e inclusivamente já aconteceram  várias agressões contra os manifestantes, tendo ferido um jovem e detido  mais pessoas afetas à organização, que se encontram “em diversas partes”  de Luanda.

Os relatos da manifestação dão conta de vários feridos, pessoas detidas  e também da agressão a jornalistas durante o protesto que com o objetivo  de “exigir a destituição de José Eduardo dos Santos” e a “democratização  dos órgãos públicos”, que começou ao início da tarde de hoje, no Largo da  Independência.

No largo, onde tinham a autorização para se manifestarem, juntaram-se  cerca de uma centena de jovens, sob vigilância de um forte aparato policial,  e às 14:00 o grupo de jovens tomou a iniciativa de partir em direção ao  Palácio Presidencial, para exigir a libertação de um dos seus membros, que  alegadamente tinha sido raptado algumas horas antes da manifestação.

A Polícia tentou impedir a intenção, tendo-se gerado uma confusão, que  resultou no ferimento, detenção e agressão de jornalistas, que se encontravam  a fazer a cobertura da manifestação.

A agressão, perpetrada por elementos civis que se encontravam igualmente  no local, sem identificação, atingiu dois operadores de câmara da RTP África,  bem como a destruição do seu equipamento, e o jornalista da Voz da América,  que viu também serem danificados os seus meios de trabalho.

Entretanto, o grupo de manifestantes continua no Largo da Independência  ainda sob vigilância da Polícia.

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