Jardim desvaloriza intenção da Procuradoria-Geral da República de analisar a omissão da dívida da Madeira

O presidente do governo regional da Madeira,  Alberto João Jardim, disse que não está preocupado com o anúncio da  Procuradoria-Geral da República de que vai analisar o caso da omissão da  dívida na região autónoma.

“Eu estou é preocupado que haja gente tão pouco inteligente e tão pouco  patriota no país como essa gente que faz essas críticas”, disse Alberto  João Jardim à margem da inauguração de uma estrada em São Vicente. Referindo-se à PGR, o líder do governo regional referiu: “esses são  meus amigos do peito que aparecem sempre no feno”.

“Não vou dormir esta noite por causa disso”, ironizou.

Alberto João Jardim pediu ainda a intervenção do Presidente da República,  Aníbal Cavaco Silva, neste assunto. “Penso que o senhor Presidente da República está na altura de intervir  para evitar que entidades do Estado estejam a intervir nas eleições da Madeira”,  disse, lembrando que já fez este alerta ao chefe de Estado numa carta que  lhe enviou há três meses.

A Procuradoria-Geral da República vai analisar o caso da Região Autónoma  da Madeira relativamente à omissão da dívida, disse hoje à Lusa fonte oficial.

A decisão da PGR surge depois do Instituto Nacional de Estatística e  do Banco de Portugal terem divulgado na sexta-feira de manhã um comunicado  no qual dão conta de encargos financeiros assumidos pela Madeira que não  foram nem pagos nem reportados.

Considerando a prática “grave”, as duas autoridades nacionais afirmam  que esta “omissão” vai obrigar à revisão dos défices de 2008 a 2010, para  incluir no défice orçamental português 1.113,3 milhões de euros só nestes  três anos, a maior parte (915,3 milhões de euros) a incluir em 2010 – o  impacto estimado no défice de 2008 é de 139,7 milhões de euros (0,08 por  cento do PIB), em 2009 é de 58,3 milhões de euros (0,03 por cento) e em  2010 é de 915,3 milhões de euros (0,53 por cento).

O primeiro-ministro afirmou, na sexta-feira à tarde, em Paris, que os  factos agora conhecidos configuram “uma irregularidade grave”, afirmando  que o executivo já está a elaborar legislação para que tal não se repita.

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