LAMEGO: Empresa Lacticínios do Paiva aposta na exportação
A empresa Lacticínios do Paiva, de Lamego, vai apostar este ano na exportação dos seus produtos, tendo criado um departamento específico para este fim, com uma equipa especializada.
Empresa líder e de referência no setor, a Lacticínios do Paiva foi visitada pelos deputados da Comissão de Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas.
No primeiro trimestre deste ano, as vendas desta Pequena e Média Empresa (PME) para o mercado externo cresceram perto de cinco por cento, sendo esperado um aumento significativo até ao final do ano.
“Criámos um departamento específico para a exportação a partir deste ano. Estamos a solidificar a nossa posição nos mercados onde temos portugueses – a França, que é o nosso principal mercado, a Alemanha, a Suíça e a Bélgica – mas também já estamos na América, no Canadá e pretendemos estar no máximo de países possível”, afirmou aos jornalistas José Sequeira, administrador da empresa.
O departamento de exportação conta com uma equipa especializada que faz o acompanhamento personalizado dos clientes internacionais, gerindo as várias fases desde a produção até à entrega da encomenda, de forma a garantir um serviço de excelência.
Explicou que já foram criadas três empresas de distribuição em África, nomeadamente em Angola, Moçambique e Cabo Verde, e que o objetivo é chegar a “outros país limítrofes”.
O responsável contou que a posição conquistada pela empresa – criada na década de 30 e que inicialmente se dedicou à comercialização de leite e manteiga aos habitantes de Lamego – exigiu “muito trabalho, muita garra”.
“Não temos parado desde 2002 até hoje e os últimos investimentos que fizemos permitiram-nos ter mais força no mercado, capacidade de produção”, frisou, explicando que, até ao final deste ano, o investimento deverá totalizar os “cinco/seis milhões de euros”.
A empresa aplicou três milhões de euros numa nova linha de produção de queijo curado e tem em curso outro investimento de dois milhões de euros no aumento da área de receção e tratamento térmico do leite e na área dedicada à salmoura. Adquiriu também equipamentos mais avançados para o tratamento e recuperação do soro lácteo, como uma máquina de concentração por osmose inversa.
O aumento de produção tem sido acompanhado pelo aumento do número de trabalhadores que, segundo José Sequeira, são 85 na fábrica. No entanto, postos de trabalho indiretos serão mais de 300.
Explicou que, além do tradicional queijo gordo, de bola, a empresa tem inovado: “temos os meios gordos, os ‘ligths’, os fatiados, fatiados cabra e fatiados ovelha que em Portugal também ninguém faz, e o queijo ultra filtração”.
A empresa é a única em Portugal a produzir este último, mais conhecido por queijo fresco de longa duração, uma vez que todas as outras marcas, mesmo as nacionais, são produzidas na Europa, sobretudo em Espanha.
O presidente da Comissão de Agricultura, Pedro Soares, considerou que, com a visita, os deputados ficaram “melhor municiados” para tomar iniciativas e ajudar o setor a ter “a solidez que é fundamental” na economia portuguesa, sobretudo na “economia do mundo rural”.




