Livro revela conversas entre pilotos do Airbus da Air France que caiu em 2009 no Brasil

O livro “Erros de Pilotagem, Volume 5” revela novos trechos das conversas dos pilotos do Airbus da Air France que caiu ao largo do Brasil, em maio de 2009, mas a obra já está a ser condenada pelos investigadores franceses e pela companhia aérea.

A obra, escrita por Jean-Pierre Otelli, um especialista em aviação,  foi hoje lançada em França.

O autor relata as conversas, algumas de caráter privado, entre os pilotos  e que nunca tinham sido tornadas públicas.

O livro relata duas horas de conversas contidas na caixa negra que registou  os sons do voo.

A outra caixa negra do aparelho registou todos os parâmetros do aparelho  nas últimas duas horas do voo.

As conversas relatadas no livro mostram o estado de incompreensão dos  pilotos e a confusão que reinou no cockpit pouco antes do acidente, nomeadamente  no último minuto de voo.

Até ao momento, apenas alguns trechos foram tornados públicos pelo Escritório  de Investigação e Análise (BEA), instituição que tem a seu cargo as investigações  sobre o acidente.

O BEA, em comunicado hoje divulgado, “condena veementemente a divulgação  desta transcrição, que é uma violação do artigo 14 da regulamentação europeia”,  lembrando que “a investigação ainda não terminou.”

Contactada pela France Presse, a Air France expressou hoje, através  de seu porta-voz, “sua emoção e total reprovação” em relação ao livro, que  “constitui uma violação manifesta do segredo de justiça” e “atenta gravemente  contra a memória dos tripulantes e dos passageiros.”

Entretanto, “a companhia aérea interroga-se sobre as razões que levaram  a esta publicação e solicita às autoridades encarregadas que esclareçam  as origens dessas novas fugas de informações perturbadoras”, acrescentou  o porta-voz.

A Air France gostaria de saber como o escritor conseguiu ter acesso  as informações analisadas pelo BEA, disse uma fonte da empresa.

O voo AF 447 da Air France (Airbus A330), que fazia a rota Rio de Janeiro-Paris,  sobrevoava o Oceano Atlântico quando desapareceu dos radares na noite de  31 de maio de 2009 com 228 pessoas a bordo.

Cento e cinquenta e quatro corpos foram encontrados entre os destroços  do avião e retirados do mar, após o acidente, em missões de resgate. Entre  as vítimas de 32 nacionalidades, estão 59 brasileiros e 72 franceses.

As duas caixas negras, que registaram os parâmetros do voo e as conversas  na cabine dos pilotos, foram resgatadas do fundo do mar no início de maio,  após passarem 23 meses a 3,9 mil metros de profundidade no Oceano Atlântico.

A Air France e a Airbus foram indiciadas por homicídio involuntário.

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