Passos Coelho diz que “aperto do cinto” vai continuar por mais alguns anos
Pedro Passos Coelho diz que a austeridade se vai manter “por mais alguns anos”. Em entrevista à Globo, o primeiro-ministro acusou governos anteriores de terem levado o Estado a gastar dinheiro “de qualquer maneira”.
Na entrevista, Passos Coelho afirmou que “foi justamente para evitar” que a dívida portuguesa fosse “além do devido”, do que o País poderia pagar, que o Governo adotou “um programa tão duro e tão difícil, e que continuará por mais alguns anos”.
O primeiro-ministro assinalou que, “no dia em que tiver que pagar a fatura” dos “erros”, o Estado “tem sempre que ir aos impostos dos cidadãos”. Para Passos Coelho, Portugal cometeu o erro de “gastar de qualquer maneira” o dinheiro que tinha.
“O dinheiro, mesmo quando é abundante e barato, não quer dizer que se possa gastar de qualquer maneira. Esses foram os erros que nós cometemos e espero que não se repitam. Têm sempre um custo”, frisou.
Passos Coelho preconiza novo regime económico para Portugal
Portugal tem de fazer um “caminho de mudança de regime económico” apostando mais nas empresas e na abertura da economia ao exterior, disse Passos Coelho.
“O caminho que temos de fazer é um caminho de mudança de regime económico, apostar mais nas empresas, mas na abertura da economia ao exterior, mais no empreendedorismo e na inovação dos portugueses, libertá-los do peso desta dívida, que vai demorar tempo, mas tem que ser feito, reduzir os gastos do Estado e das despesas públicas”, afirmou.
O líder do Governo, que terminou sexta-feira uma visita de dois dias ao Brasil, salientou também na entrevista que as dificuldades portuguesas não estão ao mesmo nível das gregas e que apesar da dívida portuguesa ser grande é “sustentável”.
“A nossa dívida é grande, mas é uma dívida sustentável. E foi justamente para evitar que as nossas dívidas fossem além do devido, daquilo que nós poderíamos pagar, que adotamos um programa tão duro e tão difícil como este que tem vindo a ser e que continuará por mais alguns anos em Portugal”, disse.
Passos Coelho disse também ter sido importante o reforço do Fundo Europeu de Resgate porque este mecanismo precisa de “alavancado para que esse risco sistémico e esse risco de contágio, de quebra de confiança no próprio euro, seja interrompido”.
“Era importante que o fundo tivesse um nível de robustez que desencorajasse os especuladores de fragilizar as economias europeias”, explicou.
A entrevista de Passos Coelho será transmitida na íntegra na segunda-feira no canal Globo News.




