Aumentos de impostos e reforma das pensões entre os “sacrifícios necessários” em Itália

O primeiro-ministro italiano anunciou um  novo pacote de austeridade que inclui cortes na despesa, aumentos de impostos  e uma reforma do sistema de pensões entre os “sacrifícios necessários” para  “reanimar” a terceira maior economia da zona euro.

Mario Monti apresentou esta noite um novo pacote de austeridade, visando  consolidar em 24 mil milhões de euros as finanças públicas italianas, de  forma a atingir um orçamento equilibrado em 2013.

“Ponderamos muito as questões de justiça, tivemos de distribuir alguns  dos sacrifícios, mas tivemos muito trabalho para os distribuir de forma  equitativa”, disse Monti, citado pela Associated Press.

Monti irá apresentar as medidas às duas câmaras do Parlamento italiano  na segunda-feira.

Esta nova ronda de austeridade inclui cortes na despesa pública (incluindo  no salário do primeiro-ministro, do qual Monti vai prescindir) e aumentos  em alguns impostos, nomeadamente os ligados ao imobiliário.

Além disso, o Governo italiano quer avançar com uma controversa reforma  do sistema de pensões. A reforma irá aumentar o número de anos de contribuições  exigido (está atualmente nos 40), enquanto o cálculo das pensões passará  a ter base em toda a carreira contributiva e não apenas nos últimos anos.

O antecessor de Monti, Silvio Berlusconi, já anunciara dois pacotes  de austeridade em julho e setembro.

No entanto, as medidas de Berlusconi não foram suficientes para convencer  nem os investidores nem os parceiros europeus da Itália — cuja dívida pública,  nos 120 por cento do PIB, é das mais elevadas da União.

Os juros das obrigações do Tesouro italiano continuaram a subir e Berlusconi  acabou por se afastar, a 12 de novembro.

Susanna Camusso, secretária-geral da principal confederação sindical  italiana, já veio denunciar as novas medidas de austeridade como “socialmente  incomportáveis” e “um golpe muito duro para os reformados”.

Rafaele Bonnani, da confederação Cisl, criticou o Governo por “não calcular  o impacto social” de mais um pacote de austeridade.

“A escolha é entre ter hoje um plano muito austero ou correr o risco  de falência amanhã”, afirmou Angelino Alfaro, líder do partido de Sílvio  Berlusconi.

Até agora, nenhum partido se opôs a estas propostas do governo ‘tecnocrático’  de Monti, com exceção da Liga do Norte, do populista Umberto Bossi, para  quem o pacote de austeridade representa uma “derrota da Itália na guerra  económica”.

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