Trabalhadores da CGD reúnem-se em plenário para decidir se avançam para tribunal caso não recebam subsídios

Os trabalhadores do Grupo Caixa Geral de Depósitos reúnem-se em plenário na próxima terça-feira contra os cortes de subsídios, com os sindicatos a prometerem avançar para tribunal caso não recebam o  subsídio de férias no final deste mês.

“A administração tinha-nos informado de que tinha diligenciado junto  do Governo uma exceção para CGD. Como não há informação de que tenha resultado  e com a promulgação do Orçamento do Estado pelo Presidente da República,  tudo indica que a 26 de janeiro vamos ter cortes no subsídio de férias.  Se assim for, vamos avançar imediatamente para os tribunais”, disse à agência  Lusa João Lopes, presidente do Sindicato dos Trabalhadores das Empresas  do Grupo CGD.

Reconhecendo que não é obrigatório a CGD pagar o 14. mês a 26 de janeiro,  uma vez que tal não está inscrito no Acordo de Empresa, apesar de já acontecer  há mais de 20 anos, o dirigente sindical afirmou que, no entanto, o que  a empresa fizer então será um sinal da decisão tomada.

O Orçamento do Estado deste ano impõe cortes progressivos nos subsídios  de férias e de Natal aos funcionários da Administração Pública e das empresas  públicas com vencimentos a partir dos 600 euros por mês e eliminação total  a partir dos 1.100 euros, medida que deverá também abranger os trabalhadores  da CGD.

Já a 10 novembro, numa reunião com a Comissão de Trabalhadores da CGD,  a administração comunicou que o corte de subsídios no banco é uma medida  “imperativa e de aplicação imediata” pelo que, tal como os funcionários  públicos, também estes deveriam assistir a uma redução salarial. No entanto,  os trabalhadores da Caixa continuavam esperançados num regime de exceção,  que para já ainda não se concretizou.

Perante a ausência de uma resposta definitiva que os sindicatos esperavam  até final de dezembro, e antes de tomarem medidas mais assertivas, as várias  estruturas representativas dos trabalhadores do Grupo CGD (sindicatos e  Comissões de Trabalhadores) estão a organizar para 10 de janeiro (terça-feira),  na Culturgest, em Lisboa, um plenário em que esperam reunir “centenas de  trabalhadores”.

“O objetivo é conversar sobre o estado das coisas e ver que medidas  podem ser tomadas pelos trabalhadores perante esta ofensiva”, disse João  Lopes, acrescentando que existem “pessoas desesperadas porque tinham compromissos  assumidos em janeiro” que agora temem não poder cumprir.

O responsável considera que a CGD não deveria ser envolvida neste corte  de subsídios já que “não depende financeiramente do Orçamento do Estado”  pelo que esta medida não significa “corte de despesa para o Estado” e critica  a possível exceção que estará a ser negociada com a TAP.

“Conta-se que a TAP está a negociar adaptações, o que a confirmar-se  torna isto tudo mais caricato. Uma empresa dependente do Orçamento do Estado  vai conseguir uma situação de alguma exceção, enquanto um grupo que ainda  contribui com dividendos pode vir a ser penalizado”, afirmou.

Após o plenário da próxima terça-feira, os representantes dos trabalhadores  da CGD vão levar o assunto ao Presidente da República, à Assembleia da República,  ainda antes de acionarem os meios jurídicos.

Caso a CGD conseguisse este ano um regime de exceção, seguiria o que  já fez em 2011, em que os trabalhadores do grupo não foram abrangidos pela  redução de salários impostos aos funcionários das empresas públicas com  remunerações brutas superiores a 1.500 euros mensais.

Em contrapartida comprometeu-se a reduzir custos, inclusivamente com  pessoal, com reduções, por exemplo, dos habituais prémios de desempenho.  De acordo com os dados divulgados em setembro pela Caixa Geral de Depósitos,  na atividade do banco em Portugal, os custos com pessoal caíram 11,5 por  cento face ao mesmo mês de 2010.

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